Cohab vistoria fundo de vale ocupado
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quinta-feira, 05 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Fiscais da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld) estiveram ontem no fundo de vale do Córrego João Paz, no Residencial Quadra Norte (Zona Norte), para atender a pedido de informações feito pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Várias famílias estão morando no local, onde cultivam hortas e criam animais. A área foi dividida em lotes e está toda cercada. Um dos 'lotes' já possui até muro.
''Vamos fazer um relatório do que vimos e encaminhar para a promotora Solange Vicentin'', disse o assessor de regularização fundiária da Cohab, Heleno Solano Rabello. Ele admitiu que a ocupação vem acontecendo há anos, mas que nada foi feito por tratar-se de uma situação delicada. ''Temos monitorado o local e percebemos que eles não estão degradando. Pior seria se aqui estivesse sendo acumulado lixo, como há muitos casos por aí. O problema é que são muitas áreas para serem cuidadas pelo município e o poder público não dá conta.''
As famílias que ocupam o local argumentam que estão ali há aproximadamente 10 anos e têm trabalhado na retirada do lixo e do mato. ''Nós não somos os donos, mas estamos zelando pelo lugar. O pessoal da prefeitura já cansou de ver a gente capinando isso aqui e nunca nos falaram nada. Além disso, não temos para onde ir'', afirmou Marcos Tavares, que mora no lote batizado de ''Chácara Grande Vale'', 'fundado' em 1982. Marcos mora com a mulher e dois filhos e tem vários familiares como vizinhos.
Ontem a família estava capinando uma área onde pretende plantar vassoura. Mais próximo à residência, cultiva canteiros de várias hortaliças, usadas para consumo próprio e como fonte de renda. A água utilizada vem de uma nascente e é trazida por uma mangueira. Marcos protocolou, em 2001, um pedido de instalação de luz e água encanada no local, mas o pedido foi indeferido.
O assessor da Cohab alertou as famílias que, por se tratar de área de preservação ambiental, eles nunca conseguirão regularizar a situação. ''Em terreno público não existe uso capião. O melhor que vocês têm a fazer é se inscrever na Cohab e sair daqui o mais rápido possível'', sugeriu.
O comerciante Alô Moysés Brun, dono de um terreno no Quadra Norte, se diz indignado com a situação. ''Isto é uma ilegalidade. Reconheço que estas famílias precisam de local para morar, mas esta é uma área de preservação e o que está acontecendo aqui é muito grave. Será que se eu resolver invadir o fundo de vale lá do Quebec (bairro nobre na Zona Oeste) não vão me tirar? A lei deve ser para todos.''
Segundo Brun, quando o Residencial foi criado, há cerca de quatro anos, a loteadora tinha a intenção de transformar o local em área de lazer, mas o projeto foi barrado justamente por tratar-se de área de preservação.
De acordo com Heleno Rabello, as famílias que ocupam atualmente um fundo de vale no Conjunto José Belinati (Zona Norte) deverão ser transferidas dentro de aproximadamente seis meses para 128 casas que estão sendo construídas ao lado do Conjunto Novo Amparo, na mesma região.
Ontem à tarde a promotora Solange Vicentin não foi localizada para falar sobre as ocupações de fundo de vale em Londrina.


