Cohab vai hipotecar centros comerciais
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terça-feira, 01 de junho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Loca 
A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem em segunda discussão o projeto de lei nº 229/2004, de autoria do Executivo, que autoriza a Companhia de Habitação da cidade (Cohab-Ld) a hipotecar na Caixa Econômica Federal (CEF) os centros comerciais do Jardim Shangri-Lá (Zona Oeste), da Vila Casoni (região central), do Jardim Kennedy (Zona Oeste) e do Parque Guanabara (Zona Sul).
O presidente da Cohab-Ld, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, esteve na sessão da Câmara e argumentou que a hipoteca é uma ''garantia'' para que o governo federal continue destinando recursos para a construção de unidades habitacionais em Londrina. ''Trata-se de um lastro para a obtenção de mais investimentos'', afirmou.
De acordo com Afonseca, no início de 2001 as dívidas da Cohab-Ld giravam em torno dos R$ 330 milhões. Através de negociações, o valor diminuiu para aproximadamente R$ 195 milhões. O saneamento das contas fez com que o governo federal, após mais de dez anos, voltasse a investir em imóveis populares em Londrina: nos últimos dois anos, foram repassados cerca de R$ 29 milhões para o município.
Com esse dinheiro, 448 unidades foram construídas e entregues e outras 964 estão em fase de edificação. A Cohab-Ld aguarda a liberação de um recurso de pouco mais de R$ 14 milhões para a construção de mais 783 casas. De acordo com Afonseca, mais de 8 mil famílias londrinenses estão atualmente na fila de espera por uma unidade habitacional.
Os centros comerciais foram repassados pela prefeitura à companhia de habitação no final do ano passado, a título de aumento de capital. O valor dos quatro imóveis está avaliado, no total, em R$ 3,1 milhões. Afonseca explicou que, apesar da hipoteca, a Cohab-Ld não corre grande risco de perder os centros comerciais. ''Caso a CEF decida executar a hipoteca, a companhia pode negociar para que a dívida seja revertida em contratos de retorno'', disse.


