Lúcio Horta
De Londrina
Mais 130 mutuários da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) com prestações em atraso poderão perder o imóvel se não quitarem o débito. A Cohab-Ld começou a preparar os processos, que até o final do mês serão remetidos para a Justiça. Com esse novo grupo, subirão para 180 os casos de execução - outros 50 processos, também contra inadimplentes, foram levados ao Fórum no dia 26 de julho.
Os processos fazem parte do ‘‘programa de execução seletiva’’ da Cohab, que visa atingir os cerca de seis mutuários - de um total de 26 mil - que estão com mais de três meses com prestações em atraso. Nesta primeira fase, porém, estão sendo encaminhados para a Justiça apenas os casos mais graves, com mais de dois anos de atraso nas prestações.
O diretor-executivo da companhia, Agnaldo José da Rosa, disse ontem que desde que o programa de execuções foi anunciado, no mês passado, pelo menos 1,2 mil mutuários em atraso já procuraram a companhia para regularizar a situação. Desses, 500 já parcelaram a dívida e começaram a pagar; outros 700 estão em negociação. Além disso, dos 50 casos que foram enviados à Justiça, quatro já quitaram a dívida. ‘‘A resposta tem sido extraordinária. Tivemos um aumento de 40% em nossa receita’’, disse.
Agnaldo Rosa destaca, porém, que a companhia não está fazendo o refinanciamento dos contratos, salvo casos excepcionais. Um desses casos, ele aponta, foi de uma ex-catadora de papel que foi declarada inválida por problemas de saúde. O filho e a nora dessa pessoa se comprometeram a pagar até R$ 70,00 de prestação (que era de R$ 30,00) e a Cohab fechou o negócio. Mas não sem antes o setor de serviço social ter feito um levantamento completo do caso e comprovado que realmente a história era verídica. Outros dois casos semelhantes foram considerados.
A grande maioria das situações verificadas pela Cohab, no entanto, não permite o refinanciamento. Um exemplo comum, disse o diretor, é da família que não paga prestações de R$ 20,00 ou R$ 30,00 mas gasta por mês, só com telefone, até R$ 80,00. Nestes casos, o máximo que se pode fazer é parcelar a dívida. Ou então, se não houver interesse do mutuário no pagamento, o processo de retomada do imóvel.
Não é à toa que um levantamento da Cohab apurou que mais de 60% dos casos de inadimplência não foram causados por problemas econômico-financeiros, mas apenas deixaram de pagar porque acreditavam que não poderiam perder o imóvel. Por isso, destaca Agnaldo Rosa, toda negociação passará pela avaliação do serviço social da companhia, que vai verificar a situação da família, os motivos da inadimplência e as condições de pagamento da dívida.

mockup