Ontem o clima entre as 65 famílias da Favela Paraíso, que fica próxima a linha do trem (zona norte de Londrina), era de incerteza e insegurança. No início da transferência dos moradores para o Jardim São Jorge, assentamento que fica próximo do Conjunto Chefe Newton, também zona norte, só 8 famílias estavam cadastradas para a mudança motivada pelos riscos existentes no local.
A maioria das famílias assistia de fora à passagem do caminhão da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, que estava fazendo o carreto. ‘‘Eu não estou nem conseguindo dormir à noite pensando nesta mudança. Tenho quatro filhos estudando aqui perto, dois deles ainda pequenos. Como vou fazer. Tirar eles da escola? Fazer eles virem sozinhos daquela lonjura?, disse preocupada Vilma Lopes Neves. Ela mora há sete anos na Favela Paraíso e afirma que não acredita ‘‘muito’’ na transferência. ‘‘Para mim é tudo politicagem; só para mostrar que estão fazendo alguma coisa. Por que não escolheram um lugar mais perto, Meu Deus’’, reclama.
A Favela Paraíso existe há 16 anos e está em um local considerado de alto risco. A área está ao lado da linha do trem e por cima dos barros passam fios de alta tensão. Os moradores já enfrentaram a tragédia do descarrilamento de um vagão que tombou sobre os barracos e têm medo da fiação que constantemente treme e sofre curto-circuito. A falta de infra-estrutura gera problemas sérios. Grudados um nos outros, não há espaço para fossas que são furadas dentro dos próprios barracos. Muitos têm mais de uma.
Mas não é só a distância - quatro quilômetros do asfalto do Conjunto Chefe Newton - que preocupa as famílias. O assentamento já está com 300 famílias, e até ontem ainda não tinha água nem energia elétrica. Sua capacidade é para 743 famílias em lotes de 120 metros quadrados. ‘‘A Cohab prometeu que vai colocar ainda esta semana uma torneira comunitária na quadra 1, onde vão ficar as famílias daqui. Confiando nas promessas de infra-estrutura é que estamos convencendo o pessoal a ir para lᒒ, frisou o presidente da associação de moradores, Edeval Pereira Souza.
Lauro Natel de Oliveira, 42 anos, morador do Pinheiros (invasão perto Jardim dos Estados) está feliz com a conquista de um terreno no São Jorge. Ontem de manhã ele, a esposa Elza Júlia de Paula e a filha Luara, de nove meses, enfrentaram a distância de bicicleta para chegar até o lote. Foram carpir o terreno e prepará-lo para a mudança. ‘‘Não vejo a hora de vir para cá. O terreno é bom e com o tempo o lugar vai ficar melhor. É só ter paciência’’, comentou Oliveira. ‘‘É nosso e isto é o que vale para a gente. Finalmente vamos ter um lugar decente para morar’’, completou Elza de Paula.
O casal conta que mora há quase dois anos na invasão do Pinheiros. ‘‘A gente não aguentava mais pagar aluguel. Eu sou autônomo e nem sempre tenho renda. O jeito foi enfrentar a invasão’’, diz Oliveira.

mockup