Cohab transfere famílias de sem-teto
Telma Elorza
De Londrina
Tranquilidade. Este foi o clima da remoção de 29 famílias de um terreno público na região do Conjunto São Lourenço, zona sul da cidade, ontem pela manhã. A desocupação foi coordenada por funcionários da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, que removeram os invasores para outros assentamentos da cidade. A uma equipe da Polícia Militar acompanhou a operação mas não precisou intervir.
Segundo o gerente de projetos da Cohab-Ld, Heleno Solano Rabello, que acompanhou os trabalhos, a desocupação do terreno foi necessária porque a área é inadequada para moradia, por ser muito íngreme e ter solo rochoso. O terreno havia sido foi ocupado há nove meses por 90 famílias, que há pouco tempo fecharam a única rua de acesso ao Jardim São Marcos a 500 metros da invasão e foram até a prefeitura pedir a regularização da área. Naquela época, a Cohab alertou que a área era imprópria.
Conseguimos fazer um cadastramento das famílias que realmente precisavam de moradia e hoje (ontem) vamos colocá-las em assentamentos regularizados, explicou Rabello.
Segundo o gerente, 20 das famílias foram transferidas para o São Marcos, onde iriam pagar uma mensalidade mínima de R$ 9,90 pelo terreno já urbanizado, com água, luz e telefone. As outras nove foram transferidas para o Jardim Campos Verdes, na zona oeste. Este ainda está em processo de regularização, mas já tem água comunitária e a luz já está chegando, afirmou. No Campos Verdes, a mensalidade mínima do terreno é de R$ 16,30.
Para a aposentada Conceição Honorato de Souza, 67 anos, que mora sozinha em um barraco de 9 metros quadrados e se mantém com R$ 136 por mês, a transferência foi bem-vinda. Agora vamos ter água e luz em casa, afirmou.
Segundo ela, viver na invasão era difícil. Mas é o único jeito de pobre tem de ter uma casinha, disse. Segundo ela, agora feliz residente do Jardim São Marcos, nem esperou os funcionários da Cohab chegarem para arrumar toda a mudança. Já tava tudo pronto desde ontem (segunda-feira) à noite. Só deixei as panelas de fora, apontou.
Outro invasor, que preferiu não se identificar, disse que não estava gostando muito da idéia em se mudar, mas iria porque não tinha alternativa. Eu preferia ficar aqui, já estamos acostumados. O problema é que se a gente não for com eles (a Cohab), não vão fazer nada para melhorar a nossa vida, disse.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim São Marcos, Marcos Aureliano Rodrigues, o bairro hoje tem 120 famílias e com os novos moradores fica com a capacidade completa. Nós fizemos uma reunião com os moradores antigos e todos concordaram com a vinda deste pessoal. Mas não cabe mais ninguém, avisou. De acordo com ele, a apesar da boa infra-estrutura do local, a briga agora vai ser pela rede de esgoto. Aqui o terreno é cheio de pedras e por isto é difícil cavar fossas, explicou.Remoção de 29 famílias que ocupavam área na zona sul da cidade foi tranquila. Policiais Militares observaram a desocupação
Fotos Mário CesarMUDANÇAOs sem-teto deixam a área invadida há cerca de 3 meses: as famílias serão transferidas para locais urbanizados





