Cohab transfere 50 famílias sem-teto para novo terreno
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Adriana De Cunto Londrina 
Milton DóriaNovo larMudança de famílias sem-teto no São Lourenço: tudo foi acompanhado pela PM, mas não houve tumulto Começou ontem pela manhã a transferência de 50 famílias que invadiram uma área de terra no conjunto São Lourenço, zona sul. Eles foram levados pela Companhia Municipal de Habitação (Cohab) para um terreno no mesmo bairro. A área invadida há dois meses pertence à Cohab e não é própria para moradia, por ser uma encosta de morro.
A transferência demoraria todo o dia de ontem e poderia se estender ainda para hoje. Os próprios moradores estavam desmanchando os barracos e erguendo-os depois no novo terreno, que pertence à Prefeitura.
A transferência foi acertada em uma reunião anteontem na Cohab, com a participação de representantes das famílias e do diretor-presidente da companhia, Wilson Mandelli. O juiz da 9ª Vara Cível de Londrina, Fábio Della Vechia, atendendo pedido de liminar da própria Cohab, determinou a reintegração de posse na área invadida.
Dos 87 barracos erguidos, 50 foram levados para o outro terreno. O resto, construído por especuladores (para venda ou troca), estava vazio. Humberto de Lima lembra que a companhia fez o levantamento sócio econômico de 46 das 50 famílias. Através da análise foi constatado que todas as famílias atravessam grandes dificuldades financeiras e não têm condições de pagar aluguel. Os outros ainda estão sendo pesquisados. Ele lembra que há o caso de uma idosa que comprou o barraco por R$ 150,00 de um especulador.
A ação foi acompanhada por 120 homens da PM, incluindo 30 do Pelotão de Choque. O capitão Edmir Edson da Cruz, comandante da operação, diz que o grande efetivo policial é comum neste tipo de operação, onde pode ocorrer revolta ou conflito. Mas está correndo tudo tranquilo, disse o capitão.
A tranquilidade deve-se, em parte, ao fato de os próprios sem-teto terem concordado em mudar para aquela área. Pra gente é melhor. A área é mais ampla e tem menos riscos, diz Marcos Aureliano Rodrigues, 20 anos, um dos representantes dos invasores. Ele lembra que antes foi sugerida a mudança para o jardim Olímpico (zona oeste), mas há muitas crianças que estudam no São Lourenço e gestantes que recebem atendimento médico no posto de saúde do bairro.
Para o casal Fernanda Cândida, 17 anos, e Valdecir Cláudio da Silva, 28 anos, a transferência vai melhorar a vida dos sem-teto. Vamos poder ficar em definitivo, comemora Valdecir. Fernanda conta que eles pagavam aluguel no São Lourenço, mas o marido ficou sem trabalho. O casal resolveu invadir o terreno, levando a filha Letícia, de 1 ano.


