Cohab teme mais invasões na zona sul
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sábado, 14 de dezembro de 1996
Carina Paccola 
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) enviou ofício ontem de manhã ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar pedindo policiamento preventivo na fazenda Refúgio e nos jardins União da Vitória 1 e 2 (zona sul). O objetivo é evitar ocupações de famílias sem-teto. Pelo menos oito famílias estão invadindo um terreno ao lado do União da Vitória 1. Alguns barracos já estão prontos; outros, em construção.
O capitão Edwaldo Machado disse no início da noite de ontem que não sabia se o comando havia recebido ou não o ofício da Cohab. De acordo com o capitão, quando se pede trabalho preventivo, a orientação do comando é que policiais façam rondas e observem mais atentamente a área em questão.
A Cohab e a Associação de Moradores dos Jardins União da Vitória 1 e 2 querem impedir que apareçam outros loteamentos naquela região, porque os serviços de saúde e educação já estão com sua capacidade esgotada. Os postos de saúde, escolas e as creches não têm condições de atender mais gente, afirma o presidente da Cohab, Wilson Sella.
Ampliar a infra-estrutura custaria muito alto, segundo Sella. A região do União da Vitória e a Fazenda Refúgio tem solo rochoso, o que dificulta e encarece asfaltamento e construção de rede de água e esgoto. Tanto que os moradores do União da Vitória 1, vizinhos da área recém-invadida, não foram contemplados com rede de esgoto por causa da rocha no chão, diz Nelson Cardoso, presidente da Associação dos Moradores do União da Vitória, que faz parte do Movimento de Luta pela Moradia e do Conselho de Entidades do União da Vitória.
Segundo Cardoso, a preocupação das entidades é com a qualidade de vida da população. Num local sem rede de esgoto, as verminoses, por exemplo, aumentam de forma assustadora.
Para regularizar a situação das últimas 1.500 famílias que estavam em loteamento irregular no União da Vitória, Cardoso lembra que foram dois anos e meio de luta, encerrados em julho deste ano com a publicação do edital de registro daquelas áreas em cartório. Dia 22 de novembro, o prefeito Luiz Eduardo Cheida sancionou projeto de lei que dava nomes para 63 ruas dos jardins União da Vitória 1 e 2.
Só conseguimos regularizar os conjuntos quando delimitamos onde começavam e terminavam. As entidades ligadas àquela região negociaram com a Prefeitura e a Cohab o congelamento do União da Vitória, para que não haja novas ocupações, observa Cardoso. Para ele, a solução para as famílias sem-teto é a destinação, pelo Poder Público, de novas áreas para loteamento. Estou conversando com as famílias para que procurem locais com condições de se tornarem um loteamento popular.
O temor das entidades é que as invasões cheguem também à fazenda Refúgio. Muitas pessoas vêm pedir informações sobre cadastramento para ocupação da Refúgio, revela Cardoso. Uma ação popular questiona na Justiça, desde 1991, a compra da fazenda pela Cohab. A área é considerada inadequada para moradia, além de haver denúncia de superfaturamento no valor pago.
Entre as famílias que já moram na vizinhança do União da Vitória, o casal Ademir e Lúcia Helena dos Santos tem a intenção de ficar por ali. Há quatro meses a família - dois filhos pequenos e um a caminho - veio de Rio Branco, perto de Grandes Rios (Vale do Ivaí), por falta de emprego e se instalou em um sítio perto de Londrina. O sítio foi vendido e eles seguiram há três semanas para o União da Vitória. Falaram que estavam loteando aqui e erguemos o barraco.
Maria de Fátima dos Santos, 16 anos e grávida de dois meses, saiu da casa da mãe há um mês, ali mesmo no União da Vitória, para morar com o marido em um barraco. Sua avó, Dorica Barros Fermino, com um filho de 12 anos, está temporiamente no mesmo barraco enquanto espera construir um outro. Dorica veio do distrito da Maravilha. Estou desempregada. Não tenho outro lugar para ir.


