Inquérito vai apurar se invasão de área na zona norte foi ‘orquestrada’; dono de loteamento diz que direção da companhia está delirando
Lino Ramos
De Londrina
A direção da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) pediu ontem ao delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Acácio Gonzaga de Azevedo, a abertura de inquérito policial para investigar a invasão de terrenos ao lado do assentamento Jardim dos Campos, na zona norte. A invasão começou pelo fundo de vale do Córrego Sem Dúvida e chegou até o loteamento Primavera, pertencente à Senna Construções Ltda.
Segundo o diretor-executivo da Cohab, Agnaldo Rosa, a invasão pode ter sido orquestrada. ‘‘Nós pedimos inquérito ao doutor Acácio porque me disseram que passou por lá um cidadão autorizando a ocupação’’. Ele atribui essas declarações ao pedreiro desempregado Mauro Borges, 30 anos, apontado como um dos líderes da invasão.
De acordo com Agnaldo Rosa, um rapaz dirigindo uma Pampa foi até o assentamento dizendo que a área era da Cohab. O diretor da Companhia disse ainda que o problema foi encaminhado ao Ministério Público e ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Rosa também pretende pedir à Procuradoria Jurídica do município a reintegração de posse da área invadida.
Já o presidente da Cohab, Assad Jannani, alega que o líder da invasão teria falado durante entrevista a uma emissora de rádio que um funcionário da loteadora teria informado que as famílias poderiam invadir o terreno. Jannani diz ainda que empresários do setor são contrários ao Projeto Renascer. ‘‘Eles se reuniram diversas vezes nos comunicando que o loteamento popular encalhou porque estamos oferecendo moradia popular a preço de terreno’’, afirma.
O diretor da Senna Construções Ltda, Max Lobato Sales, proprietário do loteamento Primavera nega as insinuações de que qualquer funcionário da empresa tenha incentivado a invasão de seu próprio imóvel. ‘‘Acho que o Assad está delirando. Ele está tentando escamotear os problemas Cohab’’, rebate.
Para o loteador, a Cohab não está conseguindo os 25 mil imóveis prometidos pelo Projeto Renascer e agora tenta desviar a atenção da comunidade. ‘‘ Ele (Assad) deveria parar com esse projeto que só prevê casas para a classe média’’, contra-ataca.
Max Lobato Sales pretende ingressar com uma ação por perdas e danos se houver insinuações no inquérito que a Senna Construções orquestrou a invasão. O empresário também defende uma ação conjunta entre a empresa e a Cohab para a desocupação das áreas, que segundo ele, foram doadas ao município de Londrina.
Segundo o delegado Acácio de Azevedo, o inquérito será presidido pelo delegado do 5º Distrito Policial, Jorge Barbosa.
A procuradora-jurídica do município, Ellen Patrícia Shini, aguarda um parecer da diretoria de loteamentos da Secretaria de Obras para saber se a área pertence ou não à prefeitura. ‘‘Caso essa área seja nossa, vamos nos sentar com a diretoria da Cohab e decidir como iremos agir’’.

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