Cohab quer negociar com devedores
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) iniciou ontem a convocação de 7.500 mutuários inadimplentes para negociar as dívidas. Segundo o presidente da Companhia, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, o débito é de aproximadamente R$ 18 milhões. Apenas 30% dos mutuários estão rigorosamente em dia com o pagamento.
O mutuário que quiser quitar seu débito tem três opções de pagamento. Ele pode incorporar a dívida ao restante do financiamento sem a cobertura do FCVS ou negociar um parcelamento. Nos dois casos, o devedor precisa dar uma entrada mínima de 10% do débito. Outra alternativa é a renovação contratual com incorporação das parcelas em atraso e a perda do FCVS. A vantagem é que o mutuário poderá usar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para pagar o financiamento. Esperamos negociar com 60% desses mutuários nos primeiros dois meses. Por enquanto, não fixamos um prazo para encerrar os acordos, mas quem se recusar a atender nosso chamado será executado na Justiça, alertou Silva.
O funcionário público Dirceu Ferreira estava na fila ontem para pagar a prestação vencida no mês passado e afirma que a Cohab excede os parâmetros de reajuste. Pelo contrato a Companhia só poderia alterar minha parcela quando eu tivesse aumento de salário, mas isso não acontece. Há cinco anos, recebo o mesmo valor e a mensalidade já subiu 80% no período, comentou Ferreira que levou o caso à Justiça em 97 e até agora não tem uma resposta definitiva.
Uma das consequências mais graves da inadimplência de mutuários é a impossibilidade de quitação de uma dívida de R$ 330 milhões que a Cohab tem com a Caixa Econômica Federal. Em 98, esse débito foi negociado, mas não foi cumprido. Desde então, a Caixa vem retendo parte da verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) destinada a Londrina. Entramos em acordo e a partir deste mês isso não vai mais acontecer, garantiu o presidente da Cohab. Conforme a assessoria de imprensa, o município recebe R$ 800 mil/mês de FPM.
Terça-feira, Silva e um técnico da Cohab irão a Brasília participar da segunda rodada de negociações com a superintendência nacional da Caixa. O objetivo é convencer o banco a descontar R$ 130 milhões do Fundo de Compensações e Variações Salariais (FCVS) da dívida.


