Cohab quer erguer conjunto na zona oeste
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Lda) tem interesse em construir um conjunto habitacional popular para 500 famílias numa área decretada de utilidade pública, em junho último, na parte oeste da Gleba Palhano. O projeto está na fase final e poderá atender famílias que hoje vivem em áreas irregulares nos fundos de vale e em invasões.
Segundo o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afosenca e Silva, a área decretada de utilidade pública fica próxima aos conjuntos Maracanã e João Turquino, onde existem assentamentos feitos pela prefeitura. O terreno de 293 mil metros quadrados fica distante da parte sul da Gleba Palhano, que nos últimos meses vem sendo ocupada por condomínios fechados de alto padrão. ''A intenção é lançar um embrião e, se a idéia der certo, ela poderá ser ampliada para uma área maior que poderá ser comprada ou desapropriada'', apontou Silva.
A maior parte dos recursos viria de uma verba a fundo perdido do orçamento geral da União. O Governo Federal, segundo o presidente da Cohab, dispõe de R$ 350 milhões para todo o Brasil e os municípios que se anteciparem na entrega do projeto têm mais chances de obter êxito. Por isso, a Cohab quer apresentar sua proposta até a próxima semana para a Caixa Econômica Federal. O município bancaria R$ 2,5 mil e a União outros R$ 4,5 mil. As prestações, conforme a Cohab, deverão chegar, no máximo, a R$ 20,00.
Mas a notícia, pelo menos na invasão do Jardim Marieta (zona norte) visitada pela reportagem, não agradou as famílias. A diarista Iracema Matias da Silva, que mora desde maio do ano passado no terreno que pertence ao município, afirmou que não pretende se mudar. Ela disse que preferiria que a prefeitura regularizasse a invasão para que as famílias pudessem permanecer na área. ''Todo mundo aqui quer morar numa casa sua com tudo certo, mas lá não'', disse.
O líder comunitário da invasão, Ailton Natalino da Silva Souza, antecipou que a intenção dos moradores é justamente lutar para legalizar a área em que já estão residindo. ''R$ 20,00 de prestação é um preço razoável, mas ficaria complicado para nós irmos para lá'', observou Ailton. ''Aqui, por exemplo, todo mundo já se conhece e eu posso sair e deixar minha porta aberta que ninguém mexe'', acrescentou.
O líder comunitário afirmou também que a invasão já cresceu deixando espaços para as ruas. Além disso, segundo ele, a rede de esgoto passa a poucos metros das casas.


