Londrina

César AugustoDuplo endereçoIvonete da Silva, diante de uma das casas: ‘Não roubei nada’A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) entrou no começo da semana com pedido de reintegração de posse de um terreno situado na quadra 13, lote 2, no assentamento do jardim Olímpico (zona oeste), pertencente a Ivonete Maria da Silva. Um levantamento no local, feito pela Cohab, com objetivo de cadastrar todas as famílias do bairro, revelou que Ivonete já tinha sido contemplada em junho com uma outra casa, na vila Marísia (zona norte), pelo programa Mutirão. Portanto, não poderia receber outra área. A decisão do juiz, sobre o pedido de reintegração de posse, deve sair esta semana.
Ivonete da Silva ainda não ocupou a nova casa no Marísia porque está fazendo uma ‘‘reforma’’ no imóvel: aproveitando a estrutura da casa, ela está levantando um sobrado no local, quase triplicando o tamanho da casa. Enquanto isso, ocupa uma residência ao lado com o companheiro e os filhos. Já no assentamento do Olímpico, Ivonete construiu uma outra casa, também de alvenaria, que se destaca com os barracos do bairro. A suspeita é de que Ivonete tenha invadido a área na zona oeste para tomar posse e depois vender. Em outras palavras: especulação imobiliária.
O assessor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, disse que Ivonete da Silva já foi comunicada da situação e de que a casa seria retomada. ‘‘Ela insistiu que colocaria outra pessoa na casa mas não teve acordo.’’ A Cohab optou por pedir a reintegração na zona oeste, já que na vila Marísia ela já ganhou a casa e está gastando com reforma.
Procurada pela Folha, Ivonete da Silva disse que será uma injustiça se perder a casa na zona oeste. ‘‘Eles deveriam pagar pelo menos o que eu gastei lᒒ, afirma. Segundo ela, o terreno no assentamento do Olímpico foi comprado no começo do ano, por R$ 250, quando o companheiro, Saturnino Pereira de Souza, resolveu sair de casa por causa de brigas com o filho dela, de 15 anos. ‘‘Comprei lá para ajudar o Saturnino. Ele sempre me ajudou a criar meus filhos.’’ A casa teria sido construída pelo companheiro, com R$ 1,5 mil, e está no nome dele.
Ainda segundo Ivonete, o marido ficou no Olímpico por três meses e depois voltou a morar com ela, quando o filho saiu de casa. Depois disso, ela afirma, a casa não ficou vazia: foi cedida para uma família de conhecidos. ‘‘Só que o rapaz trabalha na Exposição e viaja muito. E a mulher ganhou neném e está por enquanto na casa da mãe.’’
Ivonete nega que pretenda vender a casa do Olímpico. ‘‘Nada disso, nunca comentei que ia vender. Comprei lá porque a situação na época estava difícil. E o presidente da associação de lá disse que eu poderia comprar, não haveria problema. Então comprei.’’ Sobre os recursos que teria para, no mesmo ano, construir uma casa e levantar um sobrado, Ivonete diz que trabalha muito: já vendeu produtos de beleza, produtos do Paraguai, além de costurar para fora. Além disso, um filho, que é sargento no Rio Grande do Sul, segundo ela, ajudou a comprar os oito mil tijolos da reforma no Marísia. ‘‘Eles estão vendo que eu sou pobre, não sou rica. E não roubei nada de ninguém.’’
Humberto Lima comenta que normalmente é muito difícil provar que existe especulação imobiliária nas áreas ocupadas de Londrina. ‘‘O problema nosso são provas. A pessoa sempre acaba burlando a lei, de uma forma ou de outra, como por exemplo colocar uma outra família no local’’, observa. Ele diz que, quando há casos suspeitos, a Cohab chama a pessoa, verifica a situação e tenta resolver, sem precisar acionar. Se não houver solução, o caso vai mesmo para a Justiça.

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