Nove famílias que haviam invadido o fundo de vale do conjunto Ruy Virmond Carnascialli (zona norte de Londrina) deixaram ontem a área e voltaram para suas casas. Elas foram convencidas pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), que pretende também retirar as famílias restantes.
A ocupação aconteceu no dia 23 deste mês e foi organizada por 15 famílias. Segundo o presidente da Cohab, Wilson Mandelli, na semana passada seis famílias já haviam sido convencidas a sair do terreno. ‘‘Lá no fundo de vale não vai poder ficar ninguém, não é um lugar apropriado para habitação.’’
Wilson Mandelli informa que a Cohab já identificou uma área próxima ao conjunto Olímpico (zona oeste) para ser desapropriada pela Prefeitura. Outro terreno, perto do jardim União da Vitória (zona sul), ainda está sendo definido. As duas áreas serão utilizadas para a Cohab para loteamentos.
O presidente da Cohab revela que um levantamento feito por técnicos da companhia detectou que um dos invasores do fundo de vale - Davi Gabriel da Fonseca - possui casa no conjunto Farid Libos (zona norte). ‘‘Iremos ainda hoje (ontem) à Polícia pedir a instauração de um inquérito’’, conta Mandelli. ‘‘É um absurdo uma pessoa ter casa e participar de uma invasão.’’
A Câmara de Vereadores promove hoje à tarde audiência pública para discutir as recentes invasões de terrenos. A idéia é estudar alternativas para uma política habitacional. A audiência será coordenada pelos vereadores Salvador Francisco (PSDB) e Alvair Avelino de Souza (PL).
‘‘Hoje não existe política habitacional em Londrina. Tanto que são mais de 20 mil inscritos na fila da casa própria’’, diz Salvador. Ele também prega o estabelecimento de critérios - como o tempo de residência no município - para os futuros beneficiários. O vereador alega que a ‘‘propaganda exagerada da industrialização’’ tem provocado um inchaço urbano na Cidade, favorecendo as invasões.
O último levantamento divulgado pela Cohab revela que Londrina tem 3,5 mil famílias vivendo em ocupações irregulares. O projeto ‘‘Solo Cidadão’’ visa regularizar a situação das famílias mais antigas e deverá atingir 2.417 delas, residentes em 16 locais, em áreas que podem ser regularizadas.
A Cohab contesta a informação de Salvador Francisco de que existe um déficit habitacional de 20 mil moradias. Seriam nove mil famílias na fila de espera. O diretor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, garante que a companhia está fazendo a parte dela para tentar resolver o problema, mas reconhece que o poder público, sozinho, não tem condições de solucioná-lo. ‘‘Seria fundamental que todos os setores vestissem a camisa.’’

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