Londrina
‘‘O comércio irregular de lotes cedidos pela prefeitura para famílias de sem-teto também é caso de polícia’’. A afirmação é do presidente da Companhia de Habitação (Cohab), Wilson Mandeli, que quer apoio da Polícia Civil para combater o problema. Hoje, às 10 horas, na Cohab, Wilson Mandeli deve se reunir com a chefia da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, para discutir o assunto. Também participará do encontro o presidente da Federação das Favelas, Assentamentos e Núcleos de Londrina, José Ricardo da Silva.
A ação de especuladores que invadem terreno para depois comercializá-los começou a ser discutida no início do mês, entre a Cohab e a Federação das Favelas. Segundo José Ricardo da Silva, os lotes são vendidos por preços variados, sendo o mínimo R$ 15,00. ‘‘Já teve caso de comercializarem um terreno por até R$ 1,5 mil’’, garante.
José Ricardo da Silva diz ainda ter conhecimento de casos de famílias que foram expulsas de seus barracos por especuladores. Ele afirma ter informações de que uma só pessoa já chegou a ter até oito lotes em terrenos invadidos, que mais tarde foram comercializados.
Na primeira reunião realizada entre a Cohab e a Federação, no dia 1º deste mês, ficou decidido que a entidade iria ajudar o Município a identificar os especuladores. Wilson Mandeli observa que para coibir mesmo está prática, é necessária a ação da Polícia Civil. ‘‘Queremos solicitar a ajuda da Polícia, inclusive para instauração de um inquérito caso esta prática seja comprovada’’, ressalta.
Na opinião de Wilson Mandeli, os especuladores se aproveitam da boa-fé de pessoas humildes que acabam adquirindo os lotes. José Ricardo da Silva acredita que quanto mais se falar no assunto, melhor para que os sem-teto se conscientizem do problema. ‘‘Não adianta tapar o sol com a peneira e dizer que a comercialização não existe.’’
Wilson Mandeli garante que a Cohab fará todo o possível para evitar a ação dos especuladores. Ele cita como exemplo a reintegração de posse, ocorrida anteontem, de um lote que estava sendo comercializado no jardim João Turquino (conhecido também como Olímpico, na zona oeste).
O barraco, que há alguns dias exibia um anúncio de troca ou venda, fica na quadra 10, data 5. Oficiais de Justiça estiveram no local para cumprir a reintegração de posse em favor da Cohab e concedida pelo juiz da 3ª Vara Cível, Vitor Roberto Silva. Os moradores tiveram que tirar os móveis e outros pertences e o barraco foi lacrado pelos oficiais.

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