Cohab negocia saída de sem-teto
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Arquivo FolhaPerigoMandelli, da Cohab: terreno íngreme não serve para moradiaA Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) espera que até a próxima segunda-feira as 38 famílias saiam pacificamente do terreno que invadiram há cerca de 15 dias. No início desta semana, a Cohab conseguiu a reintegração de posse da área, localizada nos fundos do conjunto São Lourenço, zona sul de Londrina, mas pediu um prazo à Justiça para negociar junto aos invasores a sua retirada.
A reintegração de posse foi concedida pelo juíz da 9ª Vara Cível, Fábio Haick Dalla Vecchia, e é uma resposta à solicitação da Cohab. O presidente da companhia, Wilson Mandelli, explica que recorreu à Justiça alegando que o terreno, pertencente à Cohab, é impróprio para moradias. No local existe uma galeria de água pluvial, o terreno é íngreme e rochoso e nas paredes aparecem fraturas, relata.
O terreno possui cerca de 40 mil metros quadrados e a avaliação foi feita por técnicos da Comissão de Defesa Civil de Londrina (Comdec). Wilson Mandelli ressalta que é preciso impedir a construção de moradias no local por causa do risco que representa às famílias. Seria uma irresponsabilidade deixar as pessoas ocupando o lugar, afirma o presidente da Cohab.
Mandelli diz que até a próxima segunda-feira os funcionários da companhia irão conversar com as famílias, pedindo que deixem o local de maneira pacífica. Não vamos oferecer nenhum outro terreno em troca. Queremos que as famílias retornem aos seus lugares de origem, observa o presidente. A Cohab não chegou a fazer entrevistas com as famílias que invadiram o terreno da zona sul, mas Mandelli acredita que a maioria delas seja da zona sul de Londrina.
Na opinião de Wilson Mandelli, seria uma incoerência oferecer outra área aos invasores, sendo que na Cohab de Londrina existe um cadastro com 1.200 famílias que participaram de invasões. Algumas destas famílias estão cadastradas há mais de 15 anos. Não podemos ser injustos com elas.
Após a retirada dos invasores, a Cohab pretende firmar parceria com outras secretarias para a limpeza da área e o plantio de árvores. Os moradores do Conjunto São Lourenço reclamam que o terreno está abandonado, alega. Em seguida, a área será cercada.


