A Companha de Habitação (Cohab) de Londrina toma fôlego novo a partir de um programa de renegociação dos contratos. Lançado há 10 meses, o programa já conseguiu reduzir cerca de 40% das inadimplências, recuperando R$ 14 milhões. No início do programa, 13.200 mutuários estavam em atraso (53,7% de todos os contratos da Cohab), contabilizando uma dívida de mais de R$ 33 milhões. Há mutuários que nunca haviam pago uma única prestação sequer.
Segundo o diretor-presidente da Cohab Wilson Mandelli, o alto índice de inadimplência da Cohab tem explicação na falta de cobrança pela própria companhia, prestações muito altas em determinados conjuntos e falta de condições de alguns mutuários. E foi levando em conta esses fatores que o programa de renegociação surgiu.
Josoé de CarvalhoWilson Mandelli, diretor-presidente da Cohab: novo fôlegoMandelli concorda que o índice de 33,4% de inadimplência restante ainda é alto. No entanto, ele acredita que esse número tende a reduzir-se com a continuação dos trabalhos. ‘‘Os mutuários ainda estão sendo chamados para a renegociação. A expectativa é de que ela seja realizada por boa parte dos 8,2 mil inadimplentes restantes’’, espera.
Segundo informações da própria Cohab, são poucos os mutuários que não estão gostando das mudanças. O padeiro Hélio Borges Batista, 47 anos, é um deles. ‘‘No meu caso foi ruim. O saldo devedor caiu de R$ 19 mil para R$ 17 mil, no entanto, as prestações subiram, de R$ 41,60 para R$ 51,60. Acho errado. A situação que peguei a casa, não tem condições de ninguém morar. Quem mora em 23 metros quadrados com a família? Tive que construir garagem e mais dois cômodos, passados cinco anos do contrato, quando o normal é as prestações irem baixando o valor, eles aumentam. Não gostei’’, reclama.
Na verdade, o caso de Batista é que há alguns anos ele havia se beneficiado com o plano Gradiente, em que houve redução dos valores de sua prestação, ficando acumulados para serem pagos no final do plano. A renegociação do contrato permitiu que esse resíduo (cerca de R$ 2 mil e quinhentos) fosse incorporado ao saldo devedor. Com os cálculos refeitos e as reduções devidas, as prestações que antes subiriam para R$ 80,00, ficaram em torno de R$ 50,00 e livres do resíduo.

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