Londrina

Josoé de CarvalhoNa lonaO porteiro Valdecir da Silva, em terreno do conjunto São Lourenço: sem conseguir pagar aluguelO número de barracos aumenta a cada dia na ocupação de um terreno de cerca de 30 mil metros quadrados, pertencente à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), nos fundos do conjunto habitacional São Lourenço (zona sul). Iniciada no mês passado, a invasão já conta com cerca de 150 barracos de madeira e lona, sem água encanada, sem energia elétrica, sem esgoto e com poucos móveis.
Hoje, às 14 horas, uma comissão dos sem-teto - coordenada pelo porteiro Valdecir Claudio da Silva - será recebida pela diretoria da Cohab, que não tem boas notícias para os invasores. Segundo o diretor técnico Heleno Solano Rabello, a companhia entrará na Justiça, nos próximos dias, com ação requerendo a reintegração de posse do terreno.
Esta postura da diretoria da Cohab segue orientação política do prefeito Antonio Belinati (PDT): não negociar com famílias que ocupem áreas públicas municipais. Duas ações de reintegração de posse foram obtidas e executadas neste ano pela Cohab. ‘‘Esta é uma questão de Justiça e respeito às quase 30 mil pessoas que esperam pacificamente na fila da Cohab por uma casa ou terreno. Não vamos negociar com os que invadem terrenos públicos e, na prática, estão furando a nossa fila’’, comenta Heleno Rabello.
O engenheiro civil explica ainda que a área invadida é desaconselhável para a construção de casas, porque está na encosta de um morro com solo rochoso e inclinação muito acentuada. ‘‘Tecnicamente, não há condições de contruir naquele terreno. Só por isso ele não foi usado pela companhia até hoje. Há um grande perigo de deslizamentos de pedras e acidentes. Não há como negociar com os invasores. Vamos recebê-los para conversar, mas a orientação é para que deixem a área’’, afirma o diretor da Cohab.
Nos barracos que ocupam o terreno, as histórias são sempre muito parecidas. As famílias - com muitas crianças e adultos desempregados - não têm dinheiro para continuar pagando aluguel em casas de bairros vizinhos. Eva Machado de Oliveira é separada e doméstica desempregada. Ela cuida de um filho com seis anos e da mãe, viúva. Mudou-se para um barraco na área invadida há duas semanas. ‘‘A situação está muito difícil. Tendo que pagar R$ 100,00 de aluguéis, não sobra dinheiro para comprar comida. Vir para cá foi a única solução’’, diz Eva de Oliveira, em frente ao barraco de seis metros quadrados.
Valdecir da Silva é casado e tem um filho de um ano de idade e doente. Como porteiro folguista ele recebe R$ 174,00 mensais. O líder da invasão diz: ‘‘Estava pagando R$ 100,00 de aluguel. Pagando mais água, energia elétrica, e comprando os remédios, não sobra dinheiro para a nossa alimentação. Tem dias que o desespero é tão grande que dá vontade de sair roubando por a풒.

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