Moradores do Jardim Felicidade (Zona Norte) e representantes da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld) não conseguiram chegar a um acordo sobre as 22 casas que foram ocupadas irregularmente no local. Eles se reuniram duas vezes esta semana na segunda e quarta-feira com o juiz da 8 Vara Cível, José Ricardo Alvarez Vianna, para discutir propostas de desocupação. A proposta da Cohab foi a doação de terrenos nos Jardins Campos Verdes (Zona Oeste) e Nova Esperança (Zona Sul) para aqueles que ainda não estão inscritos na Companhia, mas oferta não foi aceita.
O Jardim é uma antiga invasão, conhecida como Novo Amparo II, onde estão sendo construídas 108 casas. Destas, 73 ainda estão em construção e 30 já foram entregues. As que foram invadidas encontram-se em fase de acabamento. Entre os moradores que ocuparam irregularmente os imóveis, há três situações: aqueles que aguardavam a conclusão de suas casas e, por dificuldades financeiras, resolveram ocupar as que já estavam em fase adiantada de construção; aqueles que, temerosos de ver suas casas invadidas, resolveram se mudar antes da conclusão da obra; e aqueles que não estão inscritos no programa.
A Cohab argumenta que com a ocupação não há como terminar as casas, por isso entrou com processo de reintegração de posse, com pedido de liminar. ''Temos um compromisso com as famílias inscritas, elas precisam receber o seu imóvel. Além disso, temos uma fila de espera, não podemos passar estas pessoas na frente de outras'', disse Heleno Solano Rabello, da Assessoria de Regularização Fundiária da Cohab.
O juiz explicou que as duas audiências realizadas tinham como objetivo um acordo. Como não foi possível, ele prosseguiu com o processo, encaminhado-o para parecer do Ministério Público (MP). A expectativa de Vianna é que o processo voltasse para suas mãos ontem à tarde ou no máximo hoje. ''Na segunda-feira já devemos ter uma decisão'', afirmou.
O pedreiro Francisco dos Santos, 42 anos, resume o problema vivido no Jardim Felicidade: ''Uns invadiram as casas dos outros, daí virou uma bagunça. Teve gente que se inscreveu no programa mas quando viu o lugar não gostou. Daí outros ocuparam. A gente fica sem saber o que fazer, vendo os outros invadirem a casa da gente'', relatou. A dúvida o fez ocupar uma casa que não era a sua.
O mesmo aconteceu com a dona de casa Ana Paulo Pícolo da Silva, 21 anos, que teve a tão sonhada casa ocupada por outros. ''Só entrei porque minha casa foi ocupada e o barraco que eu estava morando não dava mais para ficar. Na Cohab, me falaram que não podiam tirar as pessoas que ocuparam minha casa porque elas não têm para onde ir.''
Vários dos moradores que estão ocupando irregularmente as casas vieram do Jardim José Belinati (Zona Norte), entre elas Clarice Marins Carvalho. ''Eu morava no fundo de vale, e o barranco estava desmoronando''. ''A dificuldade é que a Cohab precisa tirar esse pessoal das casas para terminar as construções, mas por lei não pode colocar todo mundo na rua'', completou Luiz Rodrigues da Silva, contratado pela construtora para fazer a segurança das residências.

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