A possibilidade de deixar de pagar aluguel provocou uma verdadeira corrida à Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. Das 18 horas de domingo às 18h30 de ontem, cerca de 10 mil pessoas pegaram a senha para se cadastrar no Programa Poupalar. A procura superou as expectativas, segundo avaliação do presidente da Cohab, Assad Jannani. A estimativa era de atender 10 mil pessoas durante todo o mês de junho. ‘‘Mas vamos atender a esta quantidade de pessoas de hoje (ontem) para amanhã (hoje)’’, afirmou.
Ontem à tarde, a fila na sede da Cohab começava na Rua Pernambuco e dobrava o quarteirão até a Rua Goiás esquina com Professor João Cândido. A maioria das pessoas que estava na fila não tinha informações sobre como funcionará o Poupalar, mas acreditava se tratar de uma forma facilitada para realizar o sonho da casa própria.
Ana Maria de Lima, 38 anos, auxiliar de serviços gerais, tem em conjunto com o marido uma renda mensal de R$ 580,00 e enfrentou cinco horas de fila apostando que através da poupança será possível se ver livre do aluguel.
Wanderlei Vicente da Silva, 31 anos, analista de crédito, também não tinha muitas informações sobre o novo sistema apresentado pela Cohab para aquisição do imóvel. ‘‘Acredito que quando formos nos cadastrar todas as dúvidas serão esclarecidas’’, afirma. Com uma renda de R$ 480,00, ele também deseja parar de pagar aluguel.
A partir do dia sete de junho, quando começa o cadastramento dos candidatos ao Poupalar, serão realizadas entrevistas individuais para esclarecimento das dúvidas. A partir desta data, diariamente, serão atendidas 400 pessoas que serão entrevistadas e cadastradas. Não existe um período fixo para inscrição. Mesmo com o início do cadastramento, as senhas continuarão sendo distribuídas.
O comprador fará seu primeiro depósito, numa espécie de poupança, no dia do cadastramento. Segundo Assad Jannani, deverá ser depositado 10% da renda mensal do interessado, para que em 40 meses, no máximo, a casa seja entregue. A regularidade dos depósitos - que deverá corresponder à média de 10% da renda mensal da pessoa - é que obrigará a Cohab a entregar o imóvel dentro do prazo.
‘‘Se a pessoa não manter a regularidade, ela receberá o imóvel, mas não teremos mais a obrigação de cumprir o prazo de 40 meses’’, explica Assad Jannani. Findo este prazo, já morando no imóvel, ela começa a pagar as prestações que passam para 25% do valor da sua renda mensal - parte desta verba também será utilizada para a construção dos imóveis.
Segundo Assad Jannani, a Cohab se compromete a entregar um imóvel com valor quatro vezes maior que a poupança feita durante os 40 meses. Serão custeados pela poupança, 40% do valor de construção do imóvel, 20% serão bancados pela Cohab e parceiros - construtoras, seguradoras - e os outros 40% pelo mercado de capitais. Assad Jannani garante que a família não fica sem o imóvel.
Caso o interessado desista tanto na fase da poupança quanto do pagamento das prestações, ele terá direito a receber de volta o dinheiro corrigido, mediante o pagamento de uma taxa administrativa de 6%. Caso a Cohab atrasar a entrega do imóvel, a companhia deverá pagar multa de 10% sobre o investimento. Isto se o interessado fez o depósito com regularidade, conforme prevê o contrato.
O Poupalar, de acordo com o presidente da Cohab, é uma espécie de poupança que vai dar direito à casa própria, com os depósitos sendo corrigidos pelo IGP-M e juros de 6% ao ano. As poupanças, segundo Jannani, serão fiscalizadas inicialmente pela Cohab e, futuramente, será criada uma empresa para gerenciar o programa.

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