Cohab e Prefeitura não querem interferir
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de setembro de 1997
Londrina 
No dia 15 de maio, o secretário de Segurança Cândido Martins enviou correspondência ao prefeito Antonio Belinati (PDT) solicitando providências no sentido de se conseguir um local para a transferência dos invasores dos terrenos vizinhos do Santa Fé, dando a entender que haveria o despejo e cumprimento da liminar de reintegração de posse.
Segundo o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, a resposta do prefeito foi negativa. Não temos nenhum local ou terreno disponível para a transferência daquelas famílias invasoras. Nem interesse em desapropriar as áreas invadidas para fins de assentamento. A Prefeitura não vai entrar nesta questão, que diz respeito a invasores, proprietários particulares, Justiça e Governo do Estado, comenta.
Na opinião de Eduardo Ferreira, a Prefeitura não dá conta atualmente nem de resolver os problemas de invasões em terrenos públicos municipais e fundos de vales. Agora, vem o Estado e quer impor mais ônus ao município. Não vamos aceitá-lo. A Secretaria de Segurança que encontre outra solução, talvez através da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), argumenta o secretário.
O presidente da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, Wilson Mandelli, tem a mesma posição. Não há como interferirmos nesta questão, que envolve interesses particulares. Não nos cabe, sequer, ajudar nas negociações entre as partes. Esta invasão não é da esfera pública, que já tem problemas demais para resolver, diz, lembrando que foi procurado por um dos proprietários de terreno invadido que desejava vendê-lo à Cohab.
Sabemos que quem invade terreno o faz por premente necessidade. Mas não vamos beneficiar, de maneira privilegiada, as famílias invasoras. Não vamos comprar um terreno particular para loteá-lo entre invasores. Temos que respeitar e priorizar o atendimento às milhares de famílias que esperam por casa e terreno em nossa fila, afirma Mandelli.
A Cohab convive hoje com 34 outras invasões: 17 em terrenos municipais e 17 em fundos de vale.
Eduardo Ferreira concorda com o presidente da Cohab e aconselha: Talvez, o melhor caminho seja os donos dos terrenos invadidos realizarem loteamentos e venderem as datas, de forma negociada e parcelada, às famílias invasoras. Não vejo muita possibilidade de outra saída.
(Osmani Costa)


