Cohab e PM desocuparão fundo de vale
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Benê Bianchi 
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) começará na segunda-feira a retirar as famílias acampadas no fundo de vale do conjunto Ilda Mandarino (zona norte). A Cohab solicitou a presença da Polícia Militar para acompanhar o trabalho, que terá início às 7 horas.
Vamos fazer lá o mesmo que fizemos no Antônio Benzoni Vicentini e no Ruy Virmond Carnascialli (ambos na zona norte), ou seja, vamos convencer as pessoas a sair porque não vamos levar água e nenhuma outra benfeitoria ao local. Eles não têm outra alternativa a não ser deixar a área, comenta o presidente da Cohab, Wilson Mandelli. Ele lembra a ocupação de fundos de vale é proibida.
Mandelli afirma que a polícia foi chamada apenas para manter a segurança. Nós não convocamos reforço policial para expulsar as famílias, assegura o presidente da Cohab. A equipe irá cadastrar e fotografar todos os acampados para verificar se são mesmo necessitados. Segundo Mandelli, aqueles que já tiverem participado de outras invasões ou possuírem algum imóvel serão denunciados à polícia.
Os invasores que, comprovadamente, não tiverem para onde ir serão levados para o jardim Olímpico (zona oeste), onde já se encontram 687 famílias. Para isso, caminhões da Cohab ficarão à disposição dos invasores. Após a saída das famílias, todos os barracos serão destruídos.
Temos informações que, dos 35 barracos erguidos no fundo de vale do Ilda Mandarino, 10 estão vazios. Se não tem ninguém lá, não tem por que haver esses barracos, observa Wilson Mandelli. A área foi ocupada há cerca de um mês.
Ele acrescenta que a Cohab teme que haja confronto entre os invasores e moradores, como ocorreu no conjunto Antônio Benzoni Vicentini. Hoje, os moradores já não estão aceitando mais esse tipo de invasão. Eles consideram que há abuso, observa.
De acordo com levantamento da Cohab, os grupos de invasores eram formados por casais jovens, recém-casados, que moravam com os pais e decidiram invadir uma área porque não tinham como pagar aluguel. Na avaliação de Mandelli, embora ainda haja muita gente necessitada, nesses grupos também há pessoas que agem de má-fé, tentando tirar vantagem da situação.
Do Benzoni Vicentini e do Ruy Carnascialli não foi tranferida nenhuma família para outros locais. Quem realmente precisa vai para a área que está sendo oferecida. Não foi o caso dessas duas invasões, onde todos voltaram para seus locais de origem, exemplifica. No Benzoni havia 12 barracos; no Ruy Virmond, 15.


