Cohab derruba barracos na zona leste
Cohab derruba barracos na zona leste
Famílias comprovadamente carentes que ocupam terreno invadido há três meses são cadastradas; visita anunciada assusta moradores
Célia Baroni
fotos: Milton Dória
Em poucos segundos...Sequência da derrubada de um dos barracos vazios ontem pela manhã no Jardim San Rafael: Cohab admite que ocupação é diferente das demais, onde 100% dos invasores eram especuladores de terrenosUma equipe da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina esteve ontem na invasão de terrenos do Jardim San Rafael, abaixo da Vila Santa Terezinha (zona leste), fazendo uma triagem das famílias que invadiram a área há cerca de três meses. Ao todo, 98 famílias estão morando na invasão. E ontem de manhã, apesar de terem sido avisadas da visita da Cohab, a maioria ficou assustada com a perspectiva de precisar deixar o local.
A área invadida tem três proprietários: a loteadora Brasil, Olavo Teodoro Luiz e o Município. Os três donos já entraram com ação judicial pedindo a reintegração de posse. Os processos ainda não foram julgados. Desde o início da invasão, as famílias se organizaram em dois grupos distintos: um ocupou o terreno abaixo do ribeirão Londrina (em frente à rua Rosa Branca) e outro grupo se instalou na parte de cima da área (no loteamento), respeitando o recuo de 30 metros do fundo de vale.
A própria Cohab reconhece que o perfil desta invasão é diferente das ocupações dos fundos de vales dos conjuntos Benzoni Vicentini, Rui Virmound Carnascialli, Ilda Mandarino e Santiago - todas desocupadas pela Cohab. Em algumas destas invasões, a Cohab constatou que 100% dos ocupantes eram especuladores. No San Rafael a realidade é outra. A maioria é de famílias carentes, informa o assessor do departamento social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima.
Lima enfatiza a importância do trabalho realizado pela Cohab. Existe um problema social que precisa ser resolvido. Mas existem também os especuladores. O cadastramento é a única forma de separar o joio do trigo e buscar soluções para quem realmente precisa. Na primeira etapa do cadastramento, realizada ontem, a equipe da Cohab, com o apoio da comunidade da própria invasão, derrubou sete barracos que estavam vazios.
Dos 34 barracos construídos na área abaixo do Ribeirão Londrina, 25 permaneceram no local e duas famílias aceitaram ser transferidas para o Conjunto João Turquino, mais conhecido como Olímpico (zona oeste). O carregador Valmir da Conceição, 34 anos, solteiro, chegou ao local quando a equipe da Cohab se preparava para derrubar o seu barraco. Ele reconheceu que construiu o barraco há três meses, para garantir o terreno.
O carregador continuava morando na casa da mãe, na favela urbanizada Rosa Branca (zona oeste) e passando apenas algumas noites no local da invasão. Valmir da Conceição diz que pretende se casar e, por isto, precisa de um local para morar. Seu nome e dados foram cadastrados para verificação, mas o barraco foi derrubado.
O pedreiro João Custódio Dias, de 45 anos, está morando na invasão há dois meses com a esposa Sandra Rodrigues e o filho de dois anos. Ele está desempregado e fica na dependência de trabalhos temporários que nem sempre aparecem. Às vezes não dá nem para garantir a comida dentro de casa, conta Sandra. O casal morava no Jardim San Fernando (zona sul), onde pagava R$ 150,00 de aluguel e diz que está disposto a ir para o Olímpico. Tendo um terreninho, para a gente está bom, diz Sandra.
A presidente da comissão que representa os moradores da área abaixo do ribeirão, Maria Anunciata Moreira, afirma que as famílias vão permanecer no local até a prefeitura oferecer uma outra alternativa. O Olímpico e o União da Vitória já estão cheios. Sei que a prefeitura tem áreas na zona norte. Por que não mandam a gente para lá? ela reivindica.
Cozinheira desempregada há três meses, ela conta que tem duas filhas para criar e não podia continuar pagando um aluguel de R$ 150,00, em uma casa no Jardim Ideal (zona leste), onde morava. Não tive escolha. As famílias que estão aqui estão na mesma situação, afirma Maria.





