fotos Mário César




No chãoFuncionários da Cohab demoliram todos os barracos que não estavam ocupados (acima). Maria Merociana Silva não estava no local quando iniciou a operação e diz que o filho não a quer mais em sua casa: ‘Não sei para onde vou’

A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) começou ontem a retirada de famílias que ocupam o fundo de vale do conjunto Ilda Mandarino (zona norte). Um total de 14 barracos, a maioria vazia, foi demolido ontem pela manhã. A Cohab tenta convencer as 39 famílias restantes a também deixarem a área, invadida no dia 22 de fevereiro.
A operação da Cohab foi acompanhada pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar. Mas os policiais não tiveram que intervir porque a retirada das famílias foi pacífica. ‘‘Eles chegaram de manhãzinha e falaram que iam desmanchar o meu barraco. Eu concordei, porque não ia dar mesmo para ficar aqui’’, relata o serralheiro Edio Francisco Rodrigues, 19 anos.
Conformado, o serralheiro conta que agora irá voltar para a casa dos pais, no parque Ouro Verde (zona norte). Ele afirma que participou da invasão porque queria uma casa própria. ‘‘Mas agora vou ter que continuar pagando aluguel’’, observa.
Bastante nervosa, Maria Merociana Silva, 55 anos, retirava seus poucos pertences do barraco de madeira, enquanto funcionários da Cohab realizavam a demolição. ‘‘Não sei para onde vou’’, afirma. Ela conta que resolveu participar da invasão porque o filho não queria mais que ela morasse na casa dele, no parque Ouro Verde.
O barraco de madeira, segundo Maria Silva, foi erguido há poucos dias, com a ajuda de parentes e amigos. Antes, ela e o marido estavam debaixo de lona. Para o barraco de madeira, Maria da Silva pretendia levar também a mãe, de 84 anos.
A filha de Maria, Neide da Silva, também ocupa um barraco na mesma área invadida, mas afirma que não há espaço para abrigar mais gente. ‘‘Eu não sei o que vou fazer com ela (mãe) porque o barraco é tão pequeno que cabe só uma cama’’, afirma. Grávida de oito meses, Neide da Silva divide o barraco com o marido e um filho de dois anos.
O diretor administrativo da Cohab, Fernando Barros, afirma que, na semana passada, foi feito um levantamento e constatado quais barracos estavam vazios. ‘‘A Cohab não vai mexer nos barracos que estão ocupados, não queremos um confronto direto com as pessoas’’, observa. Ele garante que, na semana passada, o barraco de Maria da Silva estava desocupado. Segundo o diretor, o caminhão da Cohab acabou levando os pertences de Maria da Silva para a casa do filho.
Fernando Barros explica que das famílias restantes, duas concordaram em mudar para o assentamento no jardim Olímpico (zona oeste). ‘‘A Cohab ficou de levar outras seis famílias para o Olímpico para ver se elas concordam em ficar lᒒ, acrescenta. Ele lembra também que o Município entrou com ação de reintegração de posse na Justiça e que as famílias foram avisadas que não poderão permanecer no local. Um dos invasores chegou até a começar a construir uma casa de tijolos na área invadida.
Paralelo ao trabalho de derrubada dos barracos, a Cohab realiza também um trabalho de cadastramento dos invasores. Humberto Rodrigues de Lima, do departamento social da companhia, explica que foi feito um primeiro levantamento poucos dias após a ocupação. ‘‘Agora estamos fazendo o trabalho de novo e constatamos que algumas das famílias não são as mesmas que participaram da invasão’’, revela.
Fernando Barros ressalta que o cadastramento não serve como garantia aos invasores. Segundo eles, a ficha de cada um dos moradores passará por um processo de triagem na Cohab. ‘‘Quem já tem casa ou mora a menos de três anos em Londrina não será beneficiado’’, afirma.
O diretor administrativo da companhia relata que um terreno próximo ao jardim Olímpico deve ser desapropriado para que a Cohab possa fazer um loteamento no local. Ele conta que a área comporta de 700 a mil lotes de 125 metros quadrados cada.

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