Cohab derruba barracos de invasão
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
Célia Baroni 
Milton DóriaEstaca zeroMoradores carregam o que podem: ação da Cohab provocou revoltaA Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina derrubou 14 barracos de famílias que invadiram um terreno público nos fundos do jardim Santiago 2 (zona norte). Dos 23 barracos erguidos no local, apenas nove continuam de pé. A ação da Cohab provocou revolta e reclamação dos invasores. Eles acusaram a Companhia de ter sido violenta e injusta. Estelita Pereira da Silva reclamou: Minha filha tinha saído do barraco para me fazer uma visita e quando voltou encontrou tudo no chão. Para onde ela vai?
Ela mora no Santiago 1, próximo à invasão, e conta que os filhos resolveram construir um barraco porque estão desempregados e não têm onde morar. Três dos seus sete filhos ocupavam o barraco desmanchado pela Cohab. Estelita diz: Na minha casa não cabe todo mundo e eu estou desempregada também.
O barraco do carpinteiro desempregado Ataíde de Souza, 62 anos, só não foi desmontado porque ele se comprometeu a fazer o serviço por conta própria. Ele e a esposa moram em uma casa do Santiago 1, pagando um aluguel de R$ 100,00. Durante a noite, Ataíde e a esposa se alternavam - um dormia na casa alugada e outro no barraco. A gente tinha esperança de conseguir uma casinha. Não queremos nada de graça.
Ataíde e a esposa, no entanto, não aceitam a possibilidade de se mudar para o Olímpico, bairro da zona oeste para onde geralmente são levadas famílias que invadem áreas públicas. Lá não é lugar de gente morar, afirmam. Inês Cordeiro, 17 anos, a filha de poucos meses e o pai vão continuar na invasão até a Cohab verificar se a família é realmente carente. Se eles mandarem a gente para o Olímpico, nós vamos. Não temos outro lugar para viver.
O diretor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, afirma que a companhia quer convencer as oito famílias restantes a voltar para o lugar de origem. Será atendido só quem comprovar que não tem mesmo para onde ir. Segundo ele, todos os barracos derrubados estavam vazios. São aventureiros ou especuladores. Colocam um colchão e um fogão que na maioria das vezes não funciona só para dar a impressão de que tem gente vivendo no local.
Desde o início do ano, a Cohab registrou quatro novas invasões em áreas públicas e fundos de vale. Três foram desmanchadas. A invasão da área próxima ao Santiago é a última a ser desocupada. Toda invasão será tratada da mesma forma, disse Humberto. Os barracos vazios serão desmanchados e quem comprovar real necessidade será atendido dentro dos programas da Cohab. As áreas desocupadas estão sendo revitalizadas para inibir novas invasões.


