A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) está vendendo 18 centros comerciais de conjuntos habitacionais, além de terrenos localizados no perímetro urbano e uma propriedade rural de 30 alqueires na zona norte da cidade. Somente este ano, já foram comercializados cerca de 30 terrenos e dois prédios comerciais pertencentes à Cohab-Ld. O objetivo, segundo o diretor-presidente Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, é ''alienar tudo que for possível.''

Segundo Silva, a função da Cohab é construir e financiar habitações, e não administrar imóveis. Alguns prédios comerciais, afirmou, estão alugados há mais de 20 anos para a mesma pessoa. Estando à venda o locatário teria chance de adquirir o imóvel e continuar com o negócio, argumentou o diretor da Cohab. Ele reconhece que os prédios comerciais instalados em conjuntos habitacionais facilitam a vida dos moradores. Os compradores, admitiu, podem perfeitamente manter o comércio no local ou destiná-lo para outra finalidade. Também não tem como dar preferência na venda para os atuais locatários devido à lei de licitação pública, acrescentou Silva. Dos 18 centros comerciais (17 em Londrina e um em Cambé), dois já foram comercializados. O prédio do Conjunto Chefe Newton, na zona norte foi vendido por R$ 116 mil e o do Conjunto São Lourenço, região sul, por R$ 127 mil.

Locatário de um prédio comercial da Cohab no conjunto Violin, zona norte, há 15 anos, o ex-vereador Deolino Basseto pretende adquirir o imóvel, mas espera um preço justo. ''Não quero dar prejuízo para a Cohab, mas o prédio não vale o preço que pedem.'' Segundo ele, que tem um supermercado montado, a Cohab avaliou o local em R$ 220 mil, preço fora da cotação do mercado. Basseto afirmou que imobiliárias que atuam na região avaliaram o imóvel em R$ 140 mil. Ele paga um aluguel de R$ 1,1 mil mensais.

A vizinhança do supermercado Violin discorda das vendas. Segundo Ivanir Jorge Brandão, 40 anos, moradora no bairro desde sua fundação, é ''bom ter um mercado perto da casa''. Ela disse que as compras para o mês inteiro são feitas em grandes redes de supermercado, mas o ''mercadinho quebra o galho do dia-a-dia''. Para Mariete Barbosa, 20 anos, a comunidade ''sempre perde'' com a venda do imóvel.

Os cerca de 30 terrenos que foram vendidos, justificou o diretor-presidente da Cohab, estavam localizados em áreas propícias a invasão. Ele não soube dizer quanto foi arrecadado porque boa parte dos lotes foi financiada. Silva afirmou que o IPTU, capina e outras despesas inviabilizam a manutenção dos lotes. Nenhum terreno referente ao Poupalar foi comercializado e as vendas, assegurou Silva, não compromotem a construção de futuros condomínios habitacionais.

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