Cohab dará prazo para mutuários ocuparem casas
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terça-feira, 31 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld), Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, informou ontem que a conclusão das casas inacabadas no Conjunto Jamile Dequech II (Zona Sul) será acelerada, para que os proprietários possam ocupá-las. A companhia também deverá providenciar a recolocação de itens roubados, como fios, vidros e maçanetas. Depois de tudo regularizado, será dado um prazo de ''três ou quatro'' dias para a mudança das famílias. Caso não seja cumprido, o contrato será rescindido e o imóvel, entregue para outra família cadastrada no Plano de Subsídio Habitacional de Interesse Social (PSH).
Além de perder o imóvel, o mutuário terá seu nome inserido no Cadastro de Mutuários Ativos (Cadmut) da Caixa Econômica Federal, que vale para todo o território nacional, durante cinco anos. Das 241 casas já construídas pela Cohab no conjunto e entregues no dia 17 de abril, cerca de 30 ainda estão fechadas, o que tem gerado uma série de invasões de imóveis no local. Uma delas tornou-se palco de uma situação inusitada e noticiada na edição de ontem da Folha: invasor e proprietário morando sob o mesmo teto.
O pedreiro Alécio Raddi, 61 anos, afirma que resolveu ocupar o imóvel por ter ficado sabendo que o proprietário não estaria interessado na casa e teria colocado-o à venda. Já o proprietário, o aposentado Takanori Nakashima, 57, nega a intenção de comercializar a casa e diz que estava tentando juntar dinheiro para murar a casa. Ontem à tarde o pedreiro informou que teve uma noite difícil, sem conseguir dormir. ''Estou preocupado, mas vou continuar lutando.'' Nakashima não se encontrava no imóvel.
Segundo Afonseca e Silva, a companhia está tentando confirmar se Nakashima tentou mesmo comercializar o imóvel. Caso fique comprovado, o contrato será rescindido. Em relação a Raddi, o presidente da Cohab disse que ''a situação é totalmente irregular e não há o que dizer.''
Na última sexta-feira, a dona-de-casa Neusa Maria Trindade, 45 anos, conseguiu, junto com o marido Nilson Campos e os filhos, ocupar sua casa, que havia sido invadida em junho. Contente com a tão sonhada mudança, ela disse ontem ''que está começando uma nova vida''.


