Cohab dá mais um mês para renegociar dívidas
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Adriana De Cunto Londrina 
Milton DóriaSaldo devedorFila na Companhia de Habitação de Londrina: alguns mutuários criticam as propostas de negociaçãoA Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) prorrogou para mais um mês o processo de negociação da dívida dos mutuários inadimplentes. Inicialmente, o prazo estava previsto para terminar amanhã, mas será estendido ao dia 30 de novembro. A informação foi dada pelo diretor-presidente da Cohab, Wilson Mandelli.
O diretor financeiro da Companhia, Paulo Roberto Franzon, explica que muitas empresas estão entrando em contato com a Cohab pedindo que o prazo seja adiado para que os funcionários possam usar a primeira parcela do 13º salário para começar a acertar as contas com o sistema de habitação. Recebemos inúmeros pedidos para alargar o prazo, disse Franzon.
Paulo Franzon lembra que até sexta-feira, cerca de 40% dos mutuários em atraso já tinham procurado a Cohab para receber informações sobre como parcelar a dívida. Muitos deles já estão voltando para fazer o acerto, garante. No total, 58% dos mutuários da Cohab (13.500 famílias) estão em atraso com as mensalidades. As dívidas somam aproximadamente R$ 23 milhões.
Vários planos estão sendo oferecidos pela Cohab para os mutuários em atraso. O mais procurado tem sido o esquema que permite o pagamento de 15% da dívida e o restante dividido em até 40 meses. Outra opção bastante utilizada, segundo Franzon, é o plano através do qual o mutuário paga 20% das prestações em atraso e o restante da dívida é incorporado no saldo devedor. Estamos oferecendo várias alternativas para os mutuários, comenta o diretor financeiro.
Só que nenhuma destas alternativas agradou o vigilante Valdir Pereira de Souza, 36 anos, que esteve ontem pela manhã na Cohab para tentar negociar o pagamento de 12 prestações em atraso de uma casa no conjunto Maria Cecília. Eu esperava mais prazo e uma prestação menor, reclama. Para acertar sua situação, ele terá que tirar do salário mensal de R$ 453,00 uma quantia de R$ 193,00, além de uma entrada de R$ 199,00. Não tenho esse dinheiro.
A diarista Osélia Maria da Silva, 36 anos, também enfrentava a fila da Cohab ontem pela manhã e, mesmo antes de chegar ao guichê de atendimento, estava desanimada com a reação dos outros mutuários. Isso não é negociação - só um fala! A gente não tem como explicar a nossa situação. Ela mora no conjunto Parigot de Souza (zona norte) e tem 12 prestações em atraso.
Franzon diz que a Cohab não pode criar condições diferenciadas para cada mutuário inadimplente. Segundo ele, na última semana de novembro a Companhia vai fazer uma avaliação destas negociações e estudar que medida tomar contra as pessoas que não entrarem em acordo com a Cohab.


