Cohab começa a cadastrar sem-teto
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Da Redação 
Milton DóriaDesconfiadoUm dos líderes dos sem-teto, Carlos Dias Moreira, mostra barraco cadastrado pela Cohab: maior medo é ser posto para foraA Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) começou ontem a fazer um levantamento detalhado de todas as áreas ocupadas irregularmente em Londrina. Os dados vão desde renda mensal, idade, quanto tempo as pessoas moram em Londrina, quantos filhos têm na escola, entre outros. Com eles, será possível traçar um perfil sócio-econômico de cada família sem-teto.
Depois desse levantamento a gente vai poder saber quem é quem em cada acampamento, ou seja, qual a verdadeira demanda e quem está nos acampamentos por especulação, afirmou Humberto Rodrigues de Lima, responsável pelo departamento social da Cohab. Constantemente a gente necessita desses dados, acrescentou.
Ele explica que os dados foram solicitados pelo Conselho de Defesa Civil (Condec) e, segundo a Cohab, já estariam mais adiantados não fossem as chuvas das últimas semanas. O levantamento começou ontem pela manhã em um acampamento do conjunto José Giordano (zona norte) mas, mais um vez, a chuva interrompeu os trabalhos.
Segundo Lima, serão necessários de cinco a seis meses para cobrir os mais de 20 acampamentos de sem-teto que estão hoje armados na Cidade, o que dá um número de aproximadamente 600 pessoas vivendo em condições precárias.
A presença de funcionários da Cohab acabou assustando muitos sem-teto que estão hoje no conjunto José Giordano. Segundo Carlos Dias Moreira, que é um dos líderes das famílias da região, o pessoal chegou no acampamento, começou a fazer perguntas sobre cada família, numerou alguns barracos, mas não informou qual era o objetivo daquele trabalho. O receio era de que seria para retirá-los do local.
A Cohab pegou a gente de surpresa, chegando, demarcando e pegando o nome do pessoal. A gente quer saber o porquê, disse Moreira. O líder dos sem-teto reclamou que sempre tem feito visitas à companhia, para tentar acelerar o processo de regularização da área, mas nunca tem alguma resposta conclusiva. Muita gente não melhora o barraco porque não sabe se vai ficar ou não, comentou.
Carlos Moreira disse também que os acampados já estão fazendo vaquinha para abrir ruas dentro do acampamento. Já está tudo demarcado e até o dia 15 cada um de nós vai dar R$ 5,00. Depois que a gente abrir a rua vai ser mais difícil sair daqui, disse. Por isso queremos uma solução rápida e definitiva.
Ter de sair do local de uma hora para outra também é a preocupação da sem-teto Caroline Rosa de Jesus Ribeiro, que mora com uma filha grávida de quase nove meses. A gente muda uma semana, na outra tem de ir para outro lugar. Isso acaba dando uma canseira grande na gente.
Mas pela disposição da Prefeitura de Londrina, proprietária de toda a área, o assentamento deverá mesmo ser transferido para outro local. O problema é que a área ocupada é fundo de vale e, segundo a Constituição, deve ser mantida suas características originais.
Segundo o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, no máximo até a proxima semana a Prefeitura deverá entrar com uma ação de reintegração de posse do terreno no José Giordano. A ocupação da área começou há duas semanas e reúne aproximadamente 150 famílias de sem-teto.
(Lúcio Horta)


