Cohab cadastra famílias
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2002
Silvana Leão Reportagem Local 
Funcionários da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina estiveram ontem de manhã no Jardim Nova Conquista (zona leste), onde 18 famílias ocuparam, no último sábado, um barracão construído pela prefeitura em terreno público para abrigar cavalos recolhidos pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). O objetivo da visita foi fazer o cadastramento de todas as famílias.
O barracão está localizado em um fundo de vale, e além dos adultos, há várias crianças morando nas baias. Os novos moradores garantem que não sairão do local se a prefeitura não oferecer outro terreno para que construam suas casas, na mesma região. Se vierem com esta história de nos mandar para o Maracanã (Jardim Maracanã, zona oeste) não vamos aceitar. Lá é muito fora de mão, longe das escolas e creche onde as crianças estão matriculadas e até de supermercado, diz José Raimundo de Moraes, 27 anos, um dos líderes da ocupação.
Moraes está morando no local com a mulher e a filha de um ano. Até a semana passada, a família habitava um cômodo no quintal da casa de parentes. O cavalo que eu usava para trabalhar morreu, não tive outra opção. Só precisamos de um lugar para morar. Moraes contou que há dois anos estas mesmas famílias foram despejadas de outro terreno, com a promessa de que seriam reabrigadas em novo local dentro de um mês. Até hoje ninguém fez nada. Será que vou ficar avô invadindo terra?, disse, exibindo uma cópia da reintegração de posse concedida ao proprietário do terreno invadido anteriormente.
As histórias das famílias que ocuparam as baias têm muito em comum. Todas moravam de favor ou se viram sem condições de pagar aluguel. Eu vivia assim: se pagava as contas, não tinha dinheiro para comer, comentou a diarista Sueli Correia, de 34 anos. Ela está morando no barracão com três filhos e a família da irmã. Ao todo, são oito pessoas convivendo em um cômodo planejado para abrigar um cavalo. A miséria é extrema. Hoje só tem fubá e um pouco de feijão para a gente comer, disse Sueli, mostrando o fogareiro onde são feitas as refeições da família.
Segundo o diretor administrativo e financeiro da Cohab, Augusto Dias Junior, o levantamento feito pelos funcionários da companhia deverá mostrar quem realmente mora na região. As informações serão repassadas ao presidente Carlos Eduardo Afonseca e Silva, que conduzirá a negociação com as famílias. Dias Junior já antecipou, porém, que o único terreno disponível no momento para abrigar os sem-teto é o do Jardim Maracanã. Se eles não aceitarem, haverá um impasse, afirmou.


