Londrina - O destino do Mercado Municipal da Vila Casoni deve ser resolvido no primeiro semestre. O imóvel, localizado na Rua Caraíbas (região central de londrina), foi inaugurado na década de 1960. O local permanece fechado desde o assassinato do comerciante Joel Vieira Gonçalves Sobrinho, em agosto do ano passado. O açougueiro era o único permissionário de um dos boxes do mercadão que é de responsabilidade da Companhia Municipal de Habitação (Cohab). Nos últimos anos, não houve interessados na ocupação dos outros espaços internos.
Gonçalves Sobrinho foi baleado em uma tentativa de assalto registrada no próprio mercado municipal. Logo após o crime, o suposto autor dos disparos e outras duas pessoas foram presas. O imóvel permanece fechado e várias pichações referentes ao uso de drogas foram feitas na entrada lateral.
O contrato entre a Cohab e a família do comerciante foi rescindido logo após o crime. Os móveis e utensílios utilizados pelo açougueiro foram retirados pelos parentes da vítima. Empresários interessados no mercadão procuraram a Companhia, mas a expectativa é de que o local possa ser ocupado pela própria prefeitura.
Claudemir Vilalta, da Cohab, garantiu que o local não foi esquecido pelo município. "Equipes da Cohab passam por lá rotineiramente. Não está abandonado. Pelo menos uma vez a cada dez dias a equipe abre o imóvel e verifica como está o espaço interno", declarou.
Vilalta afirmou que existe um estudo para o reaproveitamento do local. A Secretaria Municipal de Saúde analisa a possibilidade de transformar o mercadão em um auditório. A ideia inicial teria sido levantada durante a gestão do ex-secretário de Saúde, Francisco Eugênio de Souza.
Funcionários da pasta fizeram uma vistoria no imóvel no final de setembro e iriam analisar os custos para a realização de reformas e de outras adequações. Com a mudança no secretariado, a resposta final da Secretaria é aguardada para este mês. O atual secretário de Saúde, Mohamad El Kadri, disse apenas que a questão será analisada em breve.

Bebida e som alto
Um morador da Vila Casoni, que preferiu não ser identificado, lamentou que o espaço permaneça fechado. "O local já não atraía muita gente nos últimos anos. Meu pai foi zelador desse espaço. É um mercado muito tradicional para o bairro. Tomara que mantenham a estrutura ou, pelo menos, usem para alguma necessidade da Vila Casoni. Só não dá pra deixar o local abandonado", disse o morador.
Natanael Queiróz dos Santos, de 30 anos, faz entregas pelas ruas do bairro e contou que o imóvel fechado gera muita insegurança para quem passa a noite próximo ao local. "A comunidade torce para que esse espaço não fique fechado por muito tempo. Aqui poderia funcionar tanta coisa... uma quadra coberta, uma creche, uma escola", sugeriu o entregador.
Os moradores contaram que grupos de adolescentes se reúne no estacionamento do mercadão para consumir bebidas alcoólicas e outros produtos. "Eles ligam o som alto e incomodam, mas as pessoas têm medo de reclamar", disse outro rapaz, que preferiu não ser identificado.
O consultor Claudemir Feijó, de 44, frequentou o mercado desde a infância. "Eu me lembro desse espaço com muitas bancas de frutas e muita movimentação. Isso faz parte da história do bairro. Eu cresci aqui", disse. Para ele, as alternativas precisam ser analisadas o quanto antes. "Nós não podemos deixar que o imóvel seja esquecido pelo poder público."

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