Cohab avalia área por preço baixo
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terça-feira, 04 de setembro de 2001
Maranúbia Barbosa<BR>De Londrina 
Lotes de terras distantes cerca de quatro quilômetros do Mirante do Eldorado, zona norte de Londrina, foram comercializados há cerca de 90 dias por R$ 90 mil o alqueire, três vezes mais do que o valor que a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina está avaliando pelo alqueire na parte do imóvel que pretende vender. A avaliação de mercado foi repassada à Folha por imobiliaristas da cidade. A Cohab é proprietária dos 46 alqueires do Mirante e vai abrir licitação para se desfazer de 30. Há cerca de três semanas, o diretor-presidente da companhia, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, estimou em R$ 30 mil o alqueire no Mirante. O argumento da companhia para negociar o imóvel é o custo da infra-estrutura, que encareceria um loteamento popular no local.
O corretor de imóveis Luís Moreira, que trabalha com o empresário Pedro Moretto, proprietário de um sítio próximo ao Mirante do Eldorado, afirmou que o preço do alqueire avaliado pela Cohab desvaloriza os terrenos da região. Segundo ele, se a oferta for mantida ''vai chover comprador''. O empresário Pedro Moretto, informou o corretor, irá lotear as terras que possui na região e teria interesse em comprar o Mirante, se as condições de pagamento forem tão favoráveis quanto o preço. Para o corretor, R$ 55 mil seria o preço mínimo do alqueire da área da Cohab.
O empresário londrinense Paulo Muniz, que atualmente arrenda sem licitição os 30 alqueires que a Cohab quer vender, cultiva no local uma plantação de milho. Ele é proprietário de uma área ao lado do Mirante. Segundo a direção da Cohab, desde 1998 Muniz não pagava nada pelo arrendamento. Na atual administração, passou a pagar cerca de R$ 500,00 por mês. Segundo profissionais do setor agrícola, é de praxe cobrar-se 20% da produção para cada alqueire arrendado.
Paulo Muniz confirmou o arrendamento da área, durante todo o ano de 2000, definido por um acordo verbal com a diretoria anterior da companhia. Ele disse que não se lembrava exatamente desde quando cultiva os 30 alqueiros e informou que no ano passado, ''como reciprocidade'' do arrendamento, cedia o Centro de Convenções do Hotel Sumatra, de sua propriedade, para reuniões mensais de treinamento de funcionários da Cohab. Segundo ele, participavam em média de 80 a 100 pessoas, que também tomavam café da manhã no hotel.
Muniz argumentou que antes de cultivar os 30 alqueires do Mirante, a área ''estava abandonada e era de alto risco'' para ele, por ser vizinha de sua propriedade rural. ''Tínhamos problemas constantes com furtos'' - afirmou Paulo Muniz.


