Os representantes da comunidade indígena caingangue conheceram ontem o projeto arquitetônico para a construção do novo Centro Cultural Kaingang. O antigo espaço, localizado no vale do Ribeirão Cambezinho, às margens da avenida Dez de Dezembro (via Expressa), foi alvo de incêndio criminoso em fevereiro deste ano. A apresentação por parte da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, responsável pelo projeto, ocorreu na secretaria de Assistência Social.
O diretor técnico da Cohab, Rosalmir Moreira, explicou que o projeto propõe a construção de um anfiteatro, uma sala para reuniões, um local para a realização de atividades culturais e dois sanitários. Ele ressaltou que serão utilizados materiais mais resistentes a atos de vandalismo. Ao invés de sapé, o teto contará com telhas de metal. A cobertura interna do telhado será feita com manta térmico-acústica, além de forro de gesso.
Apesar da preocupação com a segurança, o projeto, desenvolvido pelo arquiteto Alaertes Karolenski, preserva as características que identificam a cultura dos caingangues. Um exemplo é o espaço para exposições que terá madeira bruta de eucalipto. Os acessos terão tratamento em meia tora, para imitar a madeira e preservar as características dos índios. Além disso, o prédio será feito em forma de circunferência, que remete a uma oca.
Segundo Moreira, o próximo passo será a captação de recursos para execução da obra, estimada em R$ 120 mil. Se a prefeitura disponibilizar os recursos, o Centro Cultural poderá ser edificado pela Secretaria de Obras. Se for necessário uma licitação, a previsão é que o Centro Cultural esteja pronto em 180 dias.
O cacique da tribo caigangue, Moisés Lourenço, disse que ficou satisfeito com o projeto apresentado. Ele completou que o projeto atende todas as necessidades dos índios quando estes vêm para a cidade. Ele observou que o Centro Cultural é utilizado, principalmente, para difundir a cultura indígena.
A coordenadora do Programa de Atendimento aos Caingangues, da secretaria Municipal de Assistência Social, Marlene de Oliveira, afirmou que o Centro Cultural é uma referência para a cultura indígena na cidade. ''Temos de lembrar que o Dia do Índio não é só 19 de abril''.

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