Cohab ameaça famílias sem-teto
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A secretaria de administração de Londrina decide ainda esta semana o destino de 20 famílias que desde sábado ocupam um terreno municipal no conjunto Maria Cecília, zona norte da cidade. O diretor-executivo da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Agnaldo José da Rosa, sugeriu à secretaria que desse entrada no pedido de reintegração de posse.
Eles estão num fundo de vale, área de preservação ambiental. Se saírem pacificamente faremos o possível para atender as famílias que realmente se encontram em situação de emergência. Caso contrário, irão para o final da lista de desfavelamento urbano, disse.
O secretário José Araides Fernandes explicou que uma equipe técnica está fazendo um levantamento da área e também dos ocupantes. Segundo ele, primeiro é preciso saber se os barracos estão realmente dentro do fundo de vale, quantas pessoas vivem lá e qual é a situação delas. Além do direito sobre a propriedade, temos que levar em conta o lado social da questão. A solução para o caso será discutida entre prefeitura, Autarquia Municipal do Meio Ambiente (AMA), Cohab e Ministério Público.
Fernandes não se refere apenas a essas 20 famílias, mas também a outras que ocupam a área há anos e até já construíram casas de alvenaria. Essa é a intenção dos novos moradores que, por enquanto, capinam o terreno e armam seus barracos. Em comum acordo, cada família ficará com um lote de 8 metros de largura por 15 metros de comprimento.
A maioria de nós está desempregada e não tem dinheiro para pagar o aluguel, disseram Ricardo Chagas, José dos Passos e Jorge Fernando da Luz. Segundo eles, o terreno estava abandonado e servia de esconderijo para ladrões e traficantes. Os três confirmam a informação de que técnicos da prefeitura passaram pelo local, mas afirmam que receberam autorização para permanecerem na área.
Até ontem de manhã havia apenas três barracos cobertos e três em construção. Nos finais de tarde, a mão-de-obra aumenta com a chegada daqueles que ainda têm emprego. O grupo disse que na madrugada de segunda-feira, alguém incendiou todos os barracos da área. Com medo que o fato se repetisse, Chagas, Passos e Luz passaram a noite vigiando os lotes que não têm iluminação nem rede de água e esgoto.
O déficit habitacional de Londrina é de 10 a 12 mil casas. Segundo o diretor-executivo da Cohab, o Nova Conquista e o Pindorama também possuem áreas ocupadas. O desemprego e a política habitacional são problemas do governo federal. Fazemos o possível, mas não podemos dar casa de graça para ninguém. Isso não quer dizer que famílias com renda muito baixa estejam fora dos nossos projetos. Os interessados devem nos procurar e expor sua situação.
A assessoria de imprensa da AMA diz que a ocupação no conjunto Maria Cecília será resolvida em conjunto com os demais órgãos competentes. O chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Antonio Carlos Cobo Pires, não foi encontrado para comentar o assunto.





