Num cofre, no térreo da Biblioteca Pública do Paraná, está guardada a preciosidade da instituição - a obra-prima de Lodovico Ariosto, Orlando Furioso, editado em 1584. Com capa em couro e ilustrações feitas à mão, o livro foi doado no começo do século e hoje é retirado apenas por pesquisadores e estudiosos, sempre acompanhados por funcionários. ‘‘A biblioteca não tem dinheiro para pesquisar se possuiu outras edições raras em seu arquivo’’, conta Maria Dachechen Morguen, responsável pelo cuidado das obras raras da instituição.
Instalada no subsolo da biblioteca, Maria cuida de livros editados a partir do século XV, chegando até os tempos atuais. A sala é reservada e Maria evita proporcionar luminosidade excessiva para preservar os livros. Entre os livros estão tratados sobre o café, o chá e o chocolate, publicados pelo rei Luís da França, em 1684; e também as ordenações do reino de Portugal, editadas pelo mosteiro de São Vicente de Fóra, em 1643. ‘‘Um livro precioso não é apenas antigo, pode ser de 10 anos, de uma edição limitada. Tudo depende de seu contéudo histórico e cultural’’, explica.
Mauro FrassonMaria Dachechen Morguen é responsável pelos livros raros
No acervo ainda constam ex-libris, que são marcas nacionais e estrangeiras, de heráldicas, comemorações, entre outros temas. ‘‘Tem também uma coleção única do jurisconsulto Antônio de Souza Lobão, editado em 1745. Somente a biblioteca do Pará também tem alguns exemplares’’, comenta.
Além de cuidar dessas preciosidades, Maria ajuda algumas pessoas a identificar livros raros. O empresário Luiz Camargo esteve, coincidentemente, na semana passada com um livro de Orlando Furioso. Mas este seria da primeira edição espanhola de 1816. ‘‘Meu irmão ganhou o livro num negócio e pediu para descobrir se tem valor comercial’’, diz.
Depósito - Ao lado da sala de Maria fica o acervo de livros velhos da biblioteca. Numa grande sala, estão dispostos todos os livros que deixaram de despertar interesse aos leitores. ‘‘Há cada tempo, a biblioteca verifica a demanda do que se l꒒, explica a diretora Marilene Millarch. Ela conta que a retirada de obras das estantes leva em conta também o espaço existente. ‘‘Estamos explorando no limite o nosso ambiente’’, diz.

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