A direção da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) comentou ontem que a pedra brilhante que foi interceptada durante uma revista num coelhinho de pelúcia, na semana passada, pode ter sido uma tentativa de testar o esquema de segurança do presídio. O brinquedo estava numa caixa endereçada à mulher do assaltante Marcelo Moacir Borelli, postada para o endereço da penitenciária.
Avaliação feita por um especialista da Caixa Econômica Federal (CEF) definiu que a pedra que imita uma jóia é, na verdade, um pequeno pedaço de vidro, sem nenhum valor comercial. A pedra estava no corpo do coelhinho, dentro de um saquinho de pano. Junto ao presente, a Polícia encontrou um bilhete que dizia que dentro do brinquedo havia um outro presente. O remetente indicado na caixa se identificou como Joana de L., de Corumbá (MT).
''O pensamento nosso é que pode ter sido uma maneira de testar a segurança da unidade'', destacou o vice-diretor da PEL, Jorge Roberto Igarashi. O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, instaurou inquérito para apurar o caso. Borelli poderá ser ouvido no curso da investigação. André também investiga a tese de que o presente era uma tentativa de avaliar o esquema de segurança da penitenciária.
Borelli, condenado a 192 anos de prisão, cumpre pena em Londrina desde dezembro do ano passado. Ele foi condenado por contrabando de armas, assalto e por torturar uma criança de 3 anos, filha de um ex-integrante de sua quadrilha, que o teria denunciado. Borelli também é suspeito do sequestro de um avião da Vasp, em 2000. Informado sobre a descoberta da pedra, ele teria afirmado não saber de nada.
Atualmente, existem 515 internos que cumprem pena na penitenciária. Segundo Igarashi, eles não costumam receber um volume grande de encomendas, já que a grande maioria dos detentos são de Londrina e região. As entregas de encomendas aos presos são permitidas às quartas-feiras e aos sábados. Mesmo não podendo revelar todos os procedimentos de segurança adotados pelo setor de vistoria, o vice-diretor da penitenciária exemplificou que só é permitida a entrada de roupas e cobertores sem forro.
A demanda maior de correspondência entre os internos e o meio exterior, conforme a direção da PEL, são as cartas sociais, que não podem ser abertas, mas passam por detector de metais e são apalpadas por seguranças. ''Nunca houve entrada de drogas na PEL por meio de cartas'', garantiu Igarashi.

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