Codinorp propõe currículo regional
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
A secretaria regional de Educação do Codinorp (Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná) quer implantar ainda em 2018 parte de um plano de ensino regionalizado, atendendo antecipadamente as regras da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A proposta envolve os dez municípios do Consórcio (Cafeara, Centenário do Sul, Florestópolis, Guaraci, Jaguapitã, Lupionópolis, Miraselva, Porecatu, Prado Ferreira e Bela Vista do Paraíso) e será elaborada com a ajuda de uma equipe técnica do Instituto Ayrton Senna e, na fase de implantação, terá o apoio do MEC (Ministério da Educação).
A princípio, o currículo regional propõe a inclusão de novas disciplinas e mais horas de formação continuada dos professores, impactando cerca de oito mil alunos desde a educação infantil até o fundamental 1 (até o 5º ano). "Teremos a inclusão de matérias que hoje não existem na rede, mas que são elementares ao nosso ver, como língua estrangeira e noções de matemática aplicada e robótica. A ideia é prepará-los para que tenham gosto pela alfabetização e intelectualização", explica o secretário regional de Educação, Amauri Monge Fernandes.
Nomeado há cerca de dois meses, Fernandes ocupa um cargo inédito no País, com a intenção de articular ações em educação no Codinorp. "Os secretários municipais de Educação são mantidos com as mesmas funções. O objetivo é que eles tenham acesso à informação para buscarem melhores resultados nos convênios com o MEC e o próprio Estado", afirma.

CAPACITAÇÃO
O plano da SRE (Secretaria Regional de Educação) é que parte do novo currículo seja implantado nas 46 escolas já no segundo semestre deste ano. Isso se dará com a formação continuada de cerca de 700 professores, passando de 60h para 160h. "Ou seja, 40 horas a mais do que o recomendado hoje pelo MEC", salienta.
A capacitação acontecerá presencialmente e em EaD (Ensino a Distância). "O Codinorp Educação prepara um processo licitatório para contratar uma empresa. Esperamos que isso ocorra logo, mas se não der tempo, temos a capacitação que o Núcleo Regional de Educação propõe anualmente, como um início", responde.
Fernandes diz que a capacitação será acompanhada, uma vez que os professores serão obrigados a cumprir uma carga horária mínima para pontuar na avaliação anual. O projeto ainda inclui a formação de 60h de aproximadamente 300 gestores.
"Queremos investir em um preparo diferente, holístico, o que também é determinado pela base nacional, isto é, envolver mais artes, música, proposta de vida", ressalta.
Para implantar o currículo regional, o Codinorp Educação contará com o apoio da iniciativa privada. De acordo com o secretário, a Fundação Lemann e o Sicoob do Paraná já demonstraram interesse em ajudar.
DESAFIOS
O secretário regional comenta que no diagnóstico de cada município irão transparecer também as dificuldades da educação, além da saúde financeira. Em uma visão geral, ele afirma que o maior desafio será reduzir as filas das creches e melhorar as instalações físicas das unidades escolares.
"Acredito que uma solução inicial será ajudar os municípios a montar um plano de manutenção ostensiva. Vamos pegar o que cada município gasta, juntar em uma cesta só e contratar uma forma melhor para a manutenção", diz.
Considerando um médio e longo prazo, Fernandes cita ainda a implantação do ensino integral em todos os municípios, a modernização do sistema pedagógico por meio de plataformas como o Google for Education e Lego for Education, e a avaliação formativa desde a educação infantil.
"A ideia é dividir a sala em grupos visando o aprendizado linear. São metodologias específicas, interativas e inclusivas, pois os que estão melhores, ajudam os que não estão tão bem. E quem vai avaliar e instruir tudo isso serão os professores preparados na formação continuada", completa.
Secretaria prepara diagnóstico
O objetivo de reunir pequenos municípios em uma secretaria de Educação no Codinorp (Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná) é de ganhar escala, ou seja, fazer com que os recursos aplicados hoje em cada um deles sejam maximizados e melhor distribuídos visando uma melhor qualidade de ensino.
Para isso, um diagnóstico do orçamento para educação de cada município será apresentado no final de fevereiro para o conselho de prefeitos do Codinorp. "Com os dados em mãos, vamos verificar como este dinheiro está sendo gasto e se há possibilidade de investimento em novas áreas", diz Amauri Fernandes, secretário regional de Educação.
Ele estima que, juntos, os municípios recebam aproximadamente R$ 30 milhões do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Entretanto, enxerga a possibilidade de aumentar essa arrecadação. "O MEC tem 12 programas diferentes. Por isso, a ideia também é ajudá-los na elaboração de projetos que podem ser aprovados, por exemplo, no PAR (Planos de Ações Articuladas)", completa.
No Consórcio, cada município participa com sua cota para as despesas da SRE (Secretaria Regional de Educação) e remuneração do secretário. "O Consórcio não vai ter uma verba própria para fazer a administração da educação. Não é esse o contexto. Vamos articular e fazer a gestão conjunta da educação nos dez municípios sem mexer no dia a dia do financeiro de cada um deles", ressalta.
Fernandes disputou a vaga de secretário regional de Educação com 367 candidatos de 17 Estados. Nascido em São Paulo, é formado em Direito e acumulou experiência na área publicitária. Ele é mestre em Gestão Pública, doutor em Ciências Sociais na Universidade de Genebra e doutorando em Administração Pública e Políticas Públicas, pela Universidade de Lisboa. Na esfera pública, Fernandes foi gerente de merenda escolar e diretor de políticas públicas na gestão Mário Covas no estado de São Paulo.
Consórcio quer atingir Ideb até 2020
Até 2021, o Brasil tem a meta de atingir a nota 6.0 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Essa classificação é um patamar educacional correspondente ao de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Mas o Codinorp Educação quer bater esse índice até 2020. É o que afirma o secretário regional de educação, Amauri Monge Fernandes. Ele aponta que dos dez municípios, Porecatu (Região Metropolitana de Londrina) já chegou a esse resultado. No Ideb 2015, Porecatu teve a nota 6.5, sendo que a meta era 5.6. Para o prefeito Fábio Luiz Andrade, isso é um reflexo da rede 100% integral implantada desde 2007 e a destinação de mais de 30% do orçamento do município em educação.
"São aproximadamente R$ 9,9 milhões, mas o repasse do governo federal não é proporcional porque a ideia não é manter os alunos o dia todo em sala de aula. Além disso, temos o problema de manutenção dos espaços físicos", comenta, ao citar a implantação do Centro de Projetos que atende os 862 estudantes com aulas de arte, lutas marciais, informática, línguas, dança, entre outros.
Outro desempenho importante aconteceu em Florestópolis, também na RML. A nota do Ideb passou de 4.4 em 2013, para 5.5 em 2015. Para a secretária municipal de Educação, Silvia Santana Ribeiro, a política assumida pelo Codinorp Educação pode melhor ainda mais os resultados. "Vale ressaltar que políticas educacionais precisam estar sempre sendo discutidas e levadas a conhecimento de como ela se organiza em nosso ambiente. E vejo que investir na formação dos professores é uma oportunidade de assegurar a qualificação", declara.
Florestópolis conta com cinco pré-escolas e duas escolas de ensino fundamental, somando 117 professores e 1.045 alunos. De acordo com a secretária, a necessidade vigente é o acolhimento de estudantes de bairros mais longínquos em escolas mais próximas.
No início do mês, o município foi palco da 1ª Semana Pedagógica da SRE (Secretaria Regional de Educação), que reuniu professores, gestores, a diretora de formação de profissionais do MEC, Sílvia Donnini, o ex-ministro da Educação, José Henrique Paim Fernandes, o professor Willmann Costa, do Colégio Chico Anysio, no Rio de Janeiro, e a professora Zilda Rossi, do Núcleo Regional de Londrina.


