O diretor-superintendente do Instituto Nacional de Segurança no Trânsito (INST), Roberto Scaringella, defende a criação urgente de departamentos municipais especializados em controle de tráfego. Segundo o especialista, que já presidiu a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, o novo Código Nacional de Trânsito exigirá processos administrativos diferenciados, para efetuar desde o recolhimento de multas até a aplicação dos recursos. ‘‘Se os departamentos não forem criados, certos artigos do código poderão não ser cumpridos’’, acredita.
Scaringella afirma que a existência dos departamentos cria um ‘‘serviço de inteligência’’ relacionado exclusivamente ao trânsito, com autoridades com conhecimentos técnicos sobre o tema. Ele defende a separação dos órgãos responsáveis pelo controle de tráfego de outros setores da prefeitura - modelo que ainda não é adotado em Curitiba, onde o Ippuc centraliza também assuntos outros relacionados ao planejamento urbano. Além disso, Scaringella afirma a necessidade de separar a fiscalização do trânsito dos serviços policiais. ‘‘É preciso que as questões relacionadas ao tráfego deixem de ser vistas como um problema exclusivo da polícia’’, afirma.
O especialista também afirma que a municipalização do trânsito, prevista na nova lei, obrigará os prefeitos a priorizar a destinação de verbas para manutenção das ruas e avenidas. Hoje, segundo Scaringella, poucos prefeitos investem em obras relacionadas ao trânsito. ‘‘O principal objetivo do código não é permitir apenas que os municípios recolham o valor das multas, mas que passem a aplicá-lo na engenharia de tráfego’’, diz.

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