Estatísticas de cerca de seis meses de vigência do Código de Trânsito Brasileiro revelam que um bom número de motoristas e pedestres paranaenses ainda cometem imprudências nas rodovias e ruas das cidades. Números do Departamento de Trânsito (Detran) e da Polícia Rodoviária Federal mostram, entretanto, que a lei em vigor pelo menos contribui para a mudança do perfil da maioria das pessoas que dirige um carro, uma motocicleta ou anda a pé.
Mas, somente no primeiro trimestre deste ano, 16.967 acidentes foram registrados em todo o Paraná. Destes, 14.801 aconteceram nas cidades e estradas estaduais. O número representa uma redução de 20,62% em comparação com os primeiros três meses do ano passado, quando aconteceram 18.646 acidentes também nas cidades e nas rodovias estaduais.
Para os órgãos oficiais, a comparação entre o número de mortes ocorridas nos acidentes do primeiro trimestre mostra que o motorista está mais consciente: 453 pessoas morreram em desastres de trânsito ocorridos no Estado, enquanto no mesmo período do ano passado as vítimas fatais chegaram a 691.
O número de feridos também diminuiu. Em janeiro, fevereiro e março deste ano, os acidentes feriram 7.919 pessoas, 1.761 a menos do que nos mesmos meses do ano passado. Por outro lado, os atropelamentos continuam sendo o maior desafio. Uma comparação entre os primeiros três meses de 1997 e de 1998 mostra que a redução de casos foi de apenas 11% nos casos registrados nas cidades e estradas estaduais. No ano passado, 998 paranaenses foram atropelados, enquanto este ano os casos chegaram a 884 no mesmo período.
Para o chefe de Operações do Detran, Eliseu João da Silva, a redução no número de feridos e vítimas fatais é resultado da diminuição dos acidentes graves, provocados normalmente pela alta velocidade. ‘‘E isso é um reflexo da maior conscientização dos motoristas paranaenses, desde que entrou em vigor o novo Código de Trânsito Brasileiro’’, diz.
O número de multas aplicadas também diminuiu, de acordo com os órgãos de trânsito. De janeiro a junho do ano passado, o Detran contabilizou 384.308 multas aplicadas no Estado. Este ano, a quantidade foi de 211.712 no mesmo período. Mas ainda há muito o que fazer. Em Curitiba, por exemplo, 138.855 motoristas foram notificados nos primeiros seis meses deste ano.
Entre as infrações mais comuns ainda cometidas estão o desrespeito ao estacionamento regulamentado e o avanço do semáforo. Um total de 1.100 multas foi emitido porque o motorista não tinha a carteira de habilitação. São pessoas que abusaram da sorte como o vendedor autônomo Carlos Alberto Ceranto, que durante quatro anos dirigiu sem carteira. O documento só foi tirado em janeiro deste ano, por causa do medo de ser obrigado a pagar pesadas multas.
O caderno Folha Reportagem deste domingo abre campanha da Folha do Paraná/Folha de Londrina por um trânsito melhor, com menos acidentes, mortes e feridos, com a publicação de uma série de reportagens sobre o tema nas edições diárias do jornal.

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