Embora algumas pessoas possam achar que resgatar animais de rua é uma questão de bondade, os especialistas sabem que vai muito além disso. Cuidar de animais abandonados é também um caso de saúde pública, já que eles podem transmitir algumas doenças ao homem. O problema é antigo em Londrina, onde não há um dado exato de quantos cães e gatos perambulam pelas ruas, incluindo aqueles que têm dono, chamados de semidomiciliados. A estimativa é de que seja no mínimo 50 mil.
Os protetores de animais fazem o possível para resgatar cães e gatos abandonados ou atropelados, mas sem verbas e um lugar para hospedagem e tratamento, não conseguem resolver o problema. Depois de várias discussões, o atual Código de Posturas de Londrina, que entrou em vigor em 9 de janeiro deste ano, trouxe novas orientações referentes à compra e venda de animais, maus-tratos, recolhimento de cavalos e outros.
No entanto, sete meses após a publicação no Diário Oficial do Município, pouca coisa foi colocada em prática. Milton Pavan, presidente da SOS Vida Animal, acredita que o mais importante para que a nova lei seja cumprida é a educação da comunidade e a punição de quem cometer maus-tratos, que não se restringe a bater no animal, mas também privá-lo de alimentos, abrigo, cuidados veterinários, carinho e atenção.
A não instalação do Centro de Controle de Zoonoses, que ainda está em processo de escolha de terreno, impede que vários artigos do código sejam colocados em prática, como o cadastramento dos animais com um número de Registro Geral Animal (RGA), o recolhimento de animais atropelados e abandonados e o cadastramento de criadores de cães e gatos.
Fiscalização
Algumas regras, no entanto, já estão sendo colocadas em prática. Os pet shops, alvo de várias denúncias por maus tratos, estão tendo que se adequar na maneira de expor os animais, que devem ficar em gaiolas de tamanho compatível, por no máximo 10 horas por dia.
O secretário do Meio Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, afirmou que já foi feita uma primeira fiscalização em várias lojas e as que infringiam o código foram notificadas e tiveram um tempo para se adequar. ''Agora faremos outra ação e vamos multar quem estiver irregular'', contou.
A veterinária Patrícia Mendes Pereira acredita que um dos pontos mais importantes, além da educação da comunidade, é a regularização dos criadores de animais. ''Hoje as pessoas compram de criadores de fundo de quintal, pagam barato e, quando enjoam do animal, colocam na rua. Se para ser regularizado como criador for necessário se adequar a várias regras, somente as pessoas sérias poderão comercializar filhotes, irão cobrar caro e, consequentemente, não teremos a compra por impulso e o abandono do animal'', explica.
Para a profissional, os animais também não deveriam ficar expostos nos pet shops, já que não estão com as vacinas completas e podem contrair doenças, além de não ser possível conhecer os pais. ''O correto seria ter apenas cartazes anunciando os animais. A pessoa interessada seria levada ao criador, poderia conhecer as instalações, a ninhada e também os pais, o que ajuda a saber sobre a índole dos filhotes'', destaca.
Pavan acredita que o grande problema não é o petshop, mas os criadores. ''Queremos que eles sigam as normas corretas de criação. São os grandes fornecedores, sem nenhum critério, que dão problemas.''

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