Código afeta vida de cães e gatos
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 1998
Guilherme Pupo 
Albari RosaMarion Frentzel, da Táxi-Cão: apoiando proibição de transportar animais no banco dianteiroO novo código de trânsito brasileiro afetou também uma categoria especial de passageiros. Cães, gatos e até passarinhos que precisam ser transportados de um lugar para outro da cidade estão tendo que conviver com novos limites de velocidade, multas mais severas e até cintos de segurança especiais.
Além das pessoas que têm animais de estimação, os profissionais que lidam diariamente com eles são os que mais estão sentindo os efeitos da nova legislação. De acordo com o novo código, conduzir animais na janela é considerado infração grave, com multa prevista de 120 Ufirs e soma de cinco pontos (o motorista que somar 20 pontos perde a carteira de habilitação).
Só no ano passado, tivemos três multas por excesso de velocidade e outras pela falta do cartão do Estar, mas não conseguimos recorrer, conta a veterinária Dirlene Soares Cruz, 26 anos, proprietária da Bom Pra Cachorro. A empresa trabalha com um veículo adaptado para consultas, vacinação e atendimento de emergências em animais à domicílio (uma Unidade Móvel Veterinária).
Quando temos que atender um cachorro atropelado, não conseguimos manter velocidade de 60 quilômetros por hora, observa a veterinária. Segundo ela, além do risco de infrações, a empresa teve que contratar um motorista habilitado na categoria D (específica para transporte de emergência) e registrar o veículo (uma Traffic) como ambulância no Detran.
O automóvel é caracterizado com giroflex, sirene e luzes especiais. Na parte traseira, há uma mesa de consulta, geladeira (para vacina e soro), armário, galão de oxigênio (utilizado em casos de parada respiratória), instrumentos cirúrgicos e medicamentos. Podemos fazer até uma cesariana de emergência, disse Dirlene Cruz.
O atendimento é feito 24 horas por dia, em Curitiba e Região Metropolitana. A equipe, formada por um médico veterinário, um enfermeiro e o motorista, chega em 30 minutos ao local. Preço: R$ 35,00 a consulta, e R$ 50,00 à noite. A média é de oito atendimentos por dia. Nessa semana, atendi a uma fêmea de cheep dog que havia enfiado uma argola na língua às 3 horas da manhã e só fui dormir às 7 horas, comenta a veterinária.
Cinto de segurançaOutra novidade que surgiu com o código de trânsito é o cinto de segurança para cães. Importados, os equipamentos são fixados na região peitoral dos cachorros e contam com argolas que engatam no cinto de segurança do automóvel.
Com a nova lei, nossos clientes só podem ser levados no banco traseiro em companhia de uma pessoa, ou usando o cinto de segurança, explica Marion Frentzel, 29 anos, da Táxi-Cão - Dog Special Service. Para ela, a proibição do transporte no banco da frente e na janela é positiva, porque o cão pode distrair o motorista e provocar acidentes.
A Táxi-Cão, que atua há quase dois anos com o transporte de cães, gatos e até passarinhos, está procurando seguir as regras do novo código para evitar multas. Nunca tivemos acidente e dirigimos no máximo a 60 quilômetros por hora, fazendo curvas mais abertas para evitar que o animal se machuque, disse Marion.
O preço do serviço é cobrado por quilômetro rodado (R$ 1,00), mas há um valor mínimo de R$ 12,00. O veículo também leva cães para adestramento, viagens ou mudanças de endereço. O recorde de transporte foram 22 filhotes de pequinês levados ao mesmo tempo, em caixas especiais na parte traseira do carro.


