Lucilia Okamura
De Londrina
Londrina poderá ganhar uma usina de reciclagem térmica de lixo. O assunto foi discutido ontem por representantes da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), da Copel e da empresa alemã Babcok Borsing Power, interessada em vender tecnologia e equipamentos para a instalação da usina.
O investimento para a instalação de uma usina de Reciclagem Térmica de Lixo (RTR) é de cerca de US$ 80 milhões (quase R$ 160 milhões), segundo o presidente da Codel, Farage Kouri. Não há prazo de quando a usina poderia começar a ser construída.
Kouri explicou que antes é preciso fazer um estudo para verificar a viabilidade desse tipo de serviço em Londrina. ‘‘Vamos fazer uma avaliação do tipo de lixo e quanto gera de calor’’, observa. Os recursos para realizar este estudo serão negociados junto ao Departamento de Comércio Norte-Americano, cujo escritório na cidade deve ser inaugurado neste mês. Ele acredita que dentro de três meses o estudo deverá estar pronto.
Segundo Kouri, já existem empresas interessadas no projeto. ‘‘As discussões já estão bem adiantadas’’, garante. Ele defende a participação da iniciativa privada no projeto. ‘‘Hoje, com a privatização de todos os segmentos, não seria muito lógico o município participar desse investimento’’.
O presidente da Codel ressalta que o projeto é importante do ponto de vista ambiental. Segundo ele, a usina seria a solução para acabar com o problema dos aterros sanitários. O diretor da empresa alemã, Johnnes Musel, diz que cerca de 20% do lixo processado é transformado em energia. Exemplificando, o gerente de projetos da Copel, Edilson Matos Novak, informou que mil toneladas de lixo produzem 20 megawats de energia – suficiente para atender 100 mil habitantes. Novak disse que a Copel tem interesse em adquirir a energia produzida pela usina.
Kouri informou que outras empresas poderão ser sondadas, mas que o negócio está praticamente fechado com a Babcok Borsing Power. Musel explicou que a empresa existe desde 1874 e é responsável pela instalação de mais de 100 usinas em vários países.
O diretor executivo do Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI), Abraham Shapiro, informou que, basicamente, a usina funciona com a queima do lixo. A energia gerada pela queima é utilizada para aquecer a água sob pressão , que se transforma em vapor. Por sua vez, o vapor toca a turbina, que gera energia elétrica.
Segundo informações da Autarquia do Municipal do Ambiente (AMA), em Londrina são recolhidas cerca de 9 mil toneladas mensais de lixo domiciliar e 12 mil toneladas de entulhos.Investimento para instalação de usina que funciona com a queima do lixo é de aproximadamente R$ 160 milhões
Arquivo FolhaLIXÃOEm Londrina são recolhidas cerca de 9 mil toneladas mensais de lixo domiciliar e 12 mil toneladas de entulhos: mil toneladas produzem energia suficiente para atender 100 mil habitantesFarage Kouri: ‘‘Avaliar o tipo de lixo e quanto gera de calor’’

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