Codel ignora críticas e aluga sala de luxo
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quinta-feira, 10 de abril de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), João Rezende, assinou ontem, pela manhã, o contrato de aluguel de dois andares de salas comerciais no Twin Business Towers, prédio empresarial de luxo na avenida Tiradentes (zona oeste). A resolução causa polêmica porque o órgão municipal terá que pagar taxa mensal de R$ 9.800 pelo aluguel e mais R$ 1.200 de condominío.
Rezende explica que a escolha pelo Twin Towers foi definida após a avaliação de outros seis imóveis. Ele alega que a sede atual da Companhia (própria), na avenida Juscelino Kubitschek, se tornou ''inadequada''. ''Temos problemas nas redes de comunicação, os carpetes estão estragados e o prédio é muito antigo. Não é apropriado para receber empresários e investidores e uma reforma custaria R$ 300 mil'', diz o diretor.
Segundo Rezende, a mudança faz parte de um processo de ''modernização geral'' da Codel. Os vereadores de Londrina não demonstram o mesmo entusiasmo. Ontem, a Câmara aprovou um pedido de informação a ser enviado ao Executivo que questiona a necessidade da mudança.
''Este pedido não servirá para reverter o contrato de aluguel, até porque não é de competência da Câmara intervir nesta questão. Mas gostaríamos de saber se a Companhia teria rendimentos líquidos para honrar esses valores altos, já que, pelo que se sabe, o Terminal Rodoviário (administrado pela Codel) enfrenta dificuldades financeiras'', afirma o vereador João Dib Abussafi Filho (PRTB), que propôs o pedido. ''Sou contra a mudança de sede. Nenhum empresário vai decidir investir numa cidade só porque foi atendido em sala chique e bebeu um whisky gostoso'', critica Beto Scaff (PDT).
Pelo estudo da Comissão Permanente de Avaliação da Prefeitura, o valor do aluguel de dois andares no Twin Towers seria de R$ 10.400. A Codel conseguiu um abatimento e terá que pagar mensalmente R$ 9.800. No Twin Towers, segundo Abussafi, existe uma empresa de informática que aluga meio andar e teria que pagar R$ 2.600 por mês. A Codel paga metade deste valor, como incentivo, e a proprietária do prédio teria oferecido um desconto de 50% no aluguel ou seja, a empresa simplesmente não tem que pagar a outra metade.
''Não sou contra a mudança, mas por que a Codel não obteve um desconto bom assim? A impressão que tenho é que a negociação foi muito apressada'', diz Abussafi. Os vereadores também estranham o fato da Codel estar disposta a pagar um valor tão alto ao mesmo tempo em que empreende um Programa de Demissão Voluntária (PDV) no Terminal Rodoviário.
Rezende justifica o pouco desconto no aluguel com o argumento de que a Companhia obteve facilidades. ''Temos uma carência de 75 dias, a proprietária do prédio vai oferecer todo o sistema de telefonia, o ar condicionado, o piso, o gesso e a pintura'', diz o diretor. ''Não se pode pensar só em números. Se o grupo de vereadores diminuísse de 21 para 13, a economia seria de R$ 1,2 milhão por ano. Mas o número atual é bom porque os membros da Câmara representam toda a cidade. Estamos investindo em modernidade e buscando um novo dinamismo''.


