O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Miller Júnior, esteve ontem na Câmara para prestar esclarecimentos sobre o projeto de lei do Executivo que autoriza o município a doar uma área de 318 mil metros quadrados (cerca de 12 alqueires) para a empresa PBV (Representações, Eventos e Participações), futura responsável pela construção do Centro de Exposições e de Eventos de Londrina. Ele atendeu solicitação da vereadora Elza Correia (sem partido).
A área a ser doada fica na região da Aviação Velha, antigo aeroporto de Londrina (zona sul da Cidade). A proposta causou vários questionamentos, a começar pelo tamanho do imóvel e pela empresa que se responsabilizará pela obra. O investimento previsto é de R$ 5,5 milhões. Elza Correia e Tercílio Turini (PSDB) também perguntaram a Miller o motivo pelo qual a prefeitura se contentaria em aceitar um estande tão pequeno no futuro Centro de Eventos. Pelo projeto, a prefeitura doa área superior a 300 mil metros quadrados para a obra e receberia um estande de 30 metros quadrados.
‘‘É quase um deboche’’, ironizou Elza. ‘‘Beira as raias do risível. Não tem o menor cabimento. Deve ter havido um erro de digitação e nos comprometemos a consertar’’, prometeu Miller. Ele lembrou que o estande que a prefeitura ocupou na Expo 98 foi de 186 metros quadrados. Miller pretende encaminhar um substitutivo ao projeto, alterando o tamanho do estande, que deve ter entre 200 e 300 metros quadrados.
Elza também cobrou o laudo de avaliação do terreno que deveria estar anexado ao projeto e não veio. Miller entregou o laudo ontem com o valor da área: R$ 673 mil. Turini questionou a redução da alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) de 5% para 0,10% pelo prazo de dez anos e a isenção da taxa de coleta de lixo à empresa. Segundo ele, os itens não estão previstos na lei 5.669 que trata de incentivos às indústrias.
Miller alega que a briga pela atração de eventos é ‘‘ferrenha’’ e a redução do ISS é o diferencial para atração do novo investimento. Ele calcula que o benefício gerado será maior do que o município deixará de arrecadar com a diminuição do ISS. O presidente da Codel admite que a área a ser doada pode parecer muito grande, mas defende o pensamento ‘‘a longo prazo’’. ‘‘Se falarmos em cinco anos é muito, mas se pensarmos em 20 anos, com certeza não’’. Ele explica que a área construída será de 6 mil metros quadrados, estacionamento para 3 mil veículos, área de lazer e até um heliponto (espaço para pouso e partida de helicópteros).
De acordo com o projeto enviado à Câmara, a empresa PBV era de Curitiba, anteriormente denominada PBV Representações de Veículos Ltda., com objetivo social de representações de veículos e peças em geral. A comissão de finanças e orçamento da Câmara alerta que a empresa foi registrada recentemente com o ramo de exploração mercantil e realização de eventos e convenções. ‘‘Teve a sede da sociedade transferida para Londrina somente em 17 de dezembro de 1997’’, alerta a comissão. O proprietário é Paulo Bernardo Camargo da Vieira.
‘‘Podemos garantir que se trata de um grande grupo com experiência em lazer e entretenimento. Questões estratégicas não nos permitem dar mais detalhes. Além do mais, o município não vai precisar colocar dinheiro para a obra. A empresa tem capital para isso’’, garantiu Miller.

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