Cocamar denuncia desvio de US$ 6 mi
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segunda-feira, 27 de maio de 2002
Lucinéia Parra Reportagem Local 
Paranavaí A Polícia Civil de Paranavaí está investigando a denúncia feita pelos proprietários da Paraná Citrus S/A, de que houve um desvio de US$ 6 milhões, causado pelos ex-gestores da empresa. Eles afirmam ter sido prejudicados na comercialização ilegal de oito mil toneladas de suco concentrado e congelado de laranja. Os sigilos bancário e fiscal de vários envolvidos já foi determinado pela Justiça. O inquérito foi instaurado em dezembro, mas o assunto só se tornou público ontem, quando a diretoria da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar) fez a denúncia.
A Paraná Citurs está instalada em Paranavaí e tem como proprietários a Cocamar, com 62% das ações; o Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE), com 34%; e a Cooperativa Agrária de Cafeicultores de Nova Londrina (Copagra), com 4% das ações.
De acordo com o advogado da Paraná Citrus, Delivar Tadeu Mattos, as irregularidades dos ex-gestores foram percebidas em janeiro de 2001, quando a Cocamar reassumiu a direção da fábrica. O desvio teria ocorrido, conforme Mattos, na safra de 1999 a 2000, quando a então gerente operacional da empresa, Elizete Belido Collins Barbosa, realizou a comercialização de 15 mil toneladas de suco, ao invés de 7 mil toneladas, como havia sido determinado pelo Conselho de Administração. Segundo ele, Elizete e o representante dos produtores na empresa, Paulo Edson Pratinha Alves, fizeram uma operação internacional muito bem montada para evitar a descoberta da fraude.
A operação, conforme Mattos, envolvia também o diretor da empresa Crossports Mercantili Inc. (sediada nas Ilhas Virgens Britânicas), Oscar Hunold Lara, de Bragança Paulista (SP); e o diretor da Jencquel GmBH & Co KG., o alemão Curt Rabbow. O prejuízo de US$ 6 milhões é decorrente da falta de pagamento das oito mil toneladas de suco que saiu da Paraná Citrus para a Europa. Ainda de acordo com o advogado, o conselho da empresa demorou para identificar a irregularidade porque a safra de 99/2000 foi de difícil comercialização.
O advogado lembrou também que até meados de abril de 2000, o fluxo de pagamentos e prestações de contas aconteciam de acordo com as expectativas da empresa e que a partir de maio começaram os atrasos nos pagamentos. Até agosto de 2000, já suspeitando das ações da ex-gerente comercial da empresa, a Cocamar tentou um acordo com a Crossports e Jencquel, na Alemanha Paraná Citrus, para o pagamento do suco. Em seguida, a cooperativa comunicou as perdas aos associados e aos produtores participantes do projeto.
Elizete e Pratinha se afastaram da Paraná Citrus em janeiro e setembro de 2000. Ela é procuradora da Citri Indústria, Comércio e Exportação Ltda, empresa fundada em setembro de 2000, também em Paranavaí. Pratrinha Alves e sua família detêm 21% do capital da Citri.
Além da quebra dos sigilos bancários, a Paraná Citrus conseguiu arrestar o estoque de suco concentrado e congelado de laranja que se encontravam em poder da Southern Mercantile empresa que detém 51% do capital da Citri e Crossports, avaliados em US$ 2 milhões.
O advogado de Elizete e de Pratinha, Fábio Luis Franco, disse ontem que eles não cometeram nenhuma irregularidade e que as investigações da polícia vão provar a inocência de ambos.


