A polícia está investigando o possível envolvimento de pessoas ligadas a pastores ou que estariam usando o nome de igrejas evangélicas para o tráfico de drogas em Londrina. As suspeitas foram levantadas depois da apreensão de cocaína ocorrida anteontem à noite pelo Pelotão de Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar. Dois jovens J.A.S., 17 anos, e Luis Carlos Saucedo, 18 anos, vindos da cidade boliviana de Quijarro, engoliram 650 gramas de cocaína e foram presos em seguida ao chegarem de ônibus, vindos de Campo Grande (MS). Eles foram detidos na porta do apartamento 22, de Rosa Liliam Moraes, no prédio 55-A, da Rua Shangai, na Quinta da Boa Vista (zona sul). A mulher está sendo denunciada como traficante por vender a droga em Londrina.
Ontem à tarde a Folha entrevistou Saucedo. O rapaz confirmou que ele e o companheiro ganharam R$ 1,00 por grama que engoliam e levavam ao destino combinado. Ele disse que era a segunda vez que servia de ‘‘mula’’ (pessoa contratada por traficantes para levar drogas de um lugar para outro) para Petronilho Francisco dos Santos, conhecido por ‘‘Pitú’’, que mora em Quijarro.
Segundo Saucedo, era a segunda vez que o menor J.A.S. trazia droga para Londrina. Ele afirmou que saiu da casa dos pais alegando que iria fazer uma viagem com pastores de uma igreja (pediu para não revelar o nome), da qual ‘‘Pitú’’, que é muito ligado aos pastores, faz parte.
‘‘É muito comum na Bolívia e em Corumbá os jovens serem usados como mula para levarem a droga em cidades do Brasil. Vivemos em grande dificuldade e o que nos pagam para trabalhar honestamente não dá para viver’’, contou Saucedo. Ele trabalhava como ajudante de marceneiro e disse que ganhava por mês o correspondente a R$ 60,00.
Saucedo contou que levou cerca de três horas para engolir os 250 papelotes de cocaína, que são embalados em filme plástico, papel de alumínio, borracha e novamente em material plástico. ‘‘A gente vai engolindo um-a-um tomando guaraná. No princípio senti muito peso no estômago, mas a gente se acostuma com o passar do tempo. Ele contou que engoliu os papelotes em Quijarro. Depois, atravessou a ponte sobre o rio Paraguai de táxi e foi até Corumbá. Naquela cidade os dois tomaram um ônibus até Campo Grande (MS) e vieram a Londrina de ônibus. Os dois jovens estão presos no 2ª Distrito Policial.
Rosa Liliam Moraes disse à Folha que não é responsável pela droga apreendida no seu apartamento. Alegou que a droga pertencia a seu sobrinho de 15 anos e contou que conheceu Pitu quando tinha 19 anos e viveu com ele nove anos. Depois se separaram. Lilian disse que é filha de pastor e jamais faria tráfico de drogas. A polícia também está investigando a sua vida e seu envolvimento com religiosos.
Os papelotes com a droga engolida pelo menor J.A.S, 17 anos, e Luiz Carlos Saucedo, 18 anos, foram expelidos ontem de manhã, no Hospital da Zona Norte (HZN). J.A.S. estava com 42 pacotes de cocaína pura no estômago e Saucedo com outros 25 pacotes de pasta base. Cada pacote continha aproximadamente 10 gramas. A droga foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina para análise. Depois de preparada para o comércio, avalia o sargento Isacar, a droga poderia ser comercializada por até R$ 20 mil.

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