COCAÍNA - 'Engolidores' arriscam a vida
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 2010
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
O que pode parecer o cúmulo do absurdo para muitas pessoas, para outras que querem ganhar um dinheiro fácil é uma prática comum. Porém, o que a maioria das ''mulas'' ou ''engolidores'' não se preocupa ou ignora é que a estratégia de tentar burlar a polícia ingerindo drogas é muito arriscada.
Homens e mulheres, na maioria dos casos paraguaios, têm colocado a vida em risco ingerindo cápsulas de cocaína para tentar levar para a Europa. Esse tipo de modalidade é cada vez mais comum e chama a atenção da Polícia Federal (PF), que em 2009 efetuou 33 prisões no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Do total, 15 pessoas (13 paraguaios, um sul-africano e um argentino) levavam cocaína dentro do estômago. Em julho do ano passado, uma paraguaia de 27 anos morreu de overdose depois que uma das cápsulas rompeu antes de ser expelida.
Este ano, somente em janeiro já foram três prisões. Um dos casos é o de uma paraguaia de 47 anos detida após ter engolido 160 capsulas de cocaína e introduzido outras 20 pelo ânus. Após ser internada e expelir todas as unidades, ela foi encaminhada para a carceragem da PF.
A cápsula pesa em média 13 gramas e varia entre 8 a 12 centímetros. Os ''engolidores'' ingerem pouco antes de embarcar e, ao chegar no local de destino, expelem a droga tomando laxantes. No caso das mulheres, segundo o delegado Gabriel Pucci, muitas são humildes, de baixa formação escolar e são convencidas por traficantes a praticar o crime com promessa de dinheiro fácil.
''Essas pessoas afirmam que ganhariam entre 2 a 3 mil euros. No momento da prisão a pessoa já é encaminhada para o hospital e, após ser submetida a um raio-X que confirma a ingestão de cápsulas, a pessoa fica sob escolta até que consiga expelir toda a droga'', explica.
Segundo o delegado, não só a quantidade de casos tem aparecido com mais frequência como a quantidade de droga ingerida também tem aumentado. O traficante de drogas pode cumprir uma pena de 5 a 15 anos de reclusão, podendo ter a pena aumentada em até dois terços no casos de tráfico internacional. ''Eles têm perdido um pouco da noção do risco que correm e temos percebido cada vez mais drogas dentro do estômago dessas pessoas.''
Noradrenalina
O médico Alberto Toshio Oba, especialista em aparelho digestivo, se surpreende com a ousadia dessas pessoas e reafirma que os ''engolidores'' arriscam suas vidas. ''As cápsulas, imagino eu, são feitas de material plástico. Se não houver vazamento do material não haverá problemas de intoxicação, desde que não permaneça muito tempo dentro do estômago'', relata o médico.
''Pelo que sei, eles preparam a cápsula para que não haja risco de extravasamento do material, arredondam os cantos para poderem ser engolidos com mais facilidade e as cápsulas também não podem ser muito grandes para poderem atravessar o canal do piloro (saída do estômago)'', acrescenta.
Ainda segundo o médico, se ocorrer um vazamento, a quantidade de uma cápsula somente é o suficiente para levar uma pessoa à morte. ''A cocaína está associado com a elevação dos níveis de noradrenalina, que aumenta a resistência periférica total, levando a um aumento da pressão arterial. Os efeitos anestésicos locais da droga interferem com a condução miocardiaca levando a arritmias cardíacas e convulsões. Se não houver vazamento algum, provavelmente não acontecerá nada. Dificil é confiar que a embalagem (cápsula) não vai sofrer um rompimento. Se isto ocorrer é morte certa'', finaliza.


