A cobrança do Estacionamento Regulamentado (EstaR) na Avenida Marechal Floriano Peixoto, a partir de segunda-feira, tem dividido opiniões de motoristas e comerciantes da região. A taxa, que será cobrada no trecho de seis quadras entre as avenidas Presidente Kennedy e Getúlio Vargas, têm encontrado apoio de uns e resistência de outros. No total, 250 vagas de EstaR já foram implantadas nos dois lados da avenida. Dessas, 16 são para idosos e 15 de paradas livres por 15 minutos, com pisca-alerta ligado.
As placas e faixas de sinalização já foram instaladas no trecho. Desde ontem, agentes de trânsito da Diretoria de Trânsito da Urbanização de Curitiba S.A. (Diretran/Urbs) estão informando motoristas das novas regras. A justificativa da Diretran para a implantação do EstaR na região é de que a regulamentação gera rotatividade, beneficiando o comércio. É o que diz Rosângela Battistella, diretora de trânsito da Urbs. Ela explica que a solicitação de implantação foi de comerciantes da região, incomodados com motoristas que deixavam os carros ocupando uma vaga durante todo o dia. "O EstaR é a melhor forma de garantir uma democratização e rotatividade das vagas", defende.
Muitos comerciantes, no entanto, não concordam. É o caso de Valdecir Biolchi, proprietário, há 10 anos, de um bar na Marechal. Ele acredita que com o EstaR, vai perder clientes. "Você acha que quem quiser comprar uma água, um cigarro, ficar só cinco minutos, vai parar aqui?", pergunta. Ele acha que, por ter de pagar, os motoristas vão acabar comprando em outros locais, onde a cobrança da taxa não é realizada. Além disso, os clientes que passam horas no bar não vão ficar mais.
Ao contrário de Biolchi, Franciane Alves de Souza, que trabalha em um sebo do outro lado da quadra, acredita que o EstaR vai ajudar a afastar os guardadores de carro que importunam a clientela na região. Para ela, a regulamentação do estacionamento não vai diminuir os frequentadores. "Nós, inclusive, compramos vários cartões de EstaR para dar para os clientes mais fiés", conta. A iniciativa, acredita Franciane, vai manter o movimento no sebo.
Entre os motoristas, a polêmica continua. O auxiliar administrativo Ubirajara Rocha de Souza acha a cobrança de EstaR um "absurdo". "Eu sempre venho ao médico e paro aqui. Agora vou ter que ficar me preocupando com o tempo. Antes tinha mais flexibilidade", diz. Já o farmacêutico Miguel Grechinski é a favor da cobrança. "O Estar regulariza o estacionamento, garante a rotatividade e vaga para todos", defende.
Hoje, são mais de oito mil vagas do EstaR espalhadas por Curitiba -a maioria na região central. De acordo com Rosângela Battistella, da Urbs, o estacionamento arrecada R$ 575 mil por mês. Ela diz que todo o dinheiro arrecadado é investido na infraestrutura do sistema, como pagamento de salários de agentes, manutenção de uniformes, impressão de talões, entre outros.
A unidade do cartão do EstaR custa R$ 1; o talão com 10 cartões custa R$ 10. O motorista que não usa o cartão nos estacionamentos regulamentados recebe uma notificação educativa, que custa R$ 10 e deve ser paga na Urbs ou para os agentes nas ruas. Ao fazer o pagamento, o motorista recebe em troca um talão com os cartões. Caso a notificação não seja quitada, transforma-se automaticamente em multa por estacionar em local irregular. A infração é classificada como leve, gera três pontos na carteira de habilitação e uma multa
de R$ 53,20.

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