Cobrança do Cismepar irrita secretário
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Lucilia Okamura 
O secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, reagiu irritado às reclamações de falta de verba para o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) manter os hospitais da Zona Norte e Zona Sul de Londrina. Eu concordo com o diagnóstico, mas não com o tom. Eu não preciso falar com prefeitos e nem com o consórcio através da imprensa, disse, durante discurso dirigido aos prefeitos da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar).
O secretário esteve ontem na reunião, a primeira da Amepar neste ano, realizada pela manhã em Tamarana (60 km ao sul de Londrina). Na ocasião, o prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia, tomou posse como presidente da associação, no lugar de José Bisca, de Arapongas. José Garcia cumprirá mandato de dois anos.
O principal assunto discutido durante o encontro foi o convênio, assinado em outubro de 1997, entre o Cismepar e governo do Estado e que prevê o gerenciamento dos hospitais secundários de Londrina (Zona Norte e Zona Sul). Segundo a diretora do Cismepar, Vânia Brum, pelo convênio, todo o valor do Sistema Único de Saúde (SUS) é repassado ao Consórcio, que se responsabilizaria em contratar mais pessoal, comprar medicamentos complementares e equipamentos necessários. Na época, o repasse girava em torno de R$ 75 mil, sendo que o valor máximo (dependendo do número de atendimentos) pode chegar a R$ 180 mil, segundo Vânia Brum.
Vânia Brum explica que, como o repasse não era suficiente, o saldo negativo foi se acumulando ao longo dos meses. O fundo de reserva foi cobrindo o saldo negativo até se conseguir uma solução, explicou
Uma alternativa encontrada foi pedir um aditivo mensal ao governo do Estado no valor de R$ 120 mil. A solicitação foi enviada no início deste ano e o governo ofereceu uma contraproposta de R$ 30 mil.
No mês que vem (se não for encontrada uma solução) teremos problemos de atendimento, avisou o presidente do Conselho Curador do Cismepar, Paulo Tódero.
Após ouvir explicações sobre a situação, Armando Raggio se defendeu, falando sobre a crise econômica que obrigou o Estado a conter despesas. Agora o Estado é apresentado como ausente, criticou. Ele disse que não iria discutir o assunto ontem, durante a reunião, mas afirmou que está aberto para receber uma contraproposta do Cismepar. O Estado tem normas, com compromissos e vamos honrar no limite das forças, acrescentou. Ele lembrou ainda que o governo gasta R$ 700 mil mensais com a manutenção dos dois hospitais.


