Cobrança de carteira gera controvérsia
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O que à primeira vista parecia ser mais uma medida de segurança tem se tornado alvo de controvérsias na Escola Estadual Albino Feijó, no Parque das Indústrias, Zona Sul de Londrina. Implantado no segundo bimestre letivo do ano passado, o sistema de catracas eletrônicas, para permitir o ingresso no prédio, exige que todos os alunos portem uma carteirinha com código de barras identificando horário de entrada e de saída. O problema: a carteirinha é paga.
''Como tenho duas meninas, gastei R$ 14 (R$ 7 com cada uma). Acho que a segurança é obrigação da escola, que é pública, e não minha'', avaliou o porteiro Antônio Aparecido Marcelino, de 33 anos. Mesmo desempregada e mãe de dois filhos, Fátima Rocha, 34, disse não se importar muito com a cobrança. ''Mas conheço gente para quem esse dinheiro faria falta'', ressalvou. Aluno de uma das 6 séries do colégio, Rodrigo Bortolato, de 17 anos, contou que a instituição da carteirinha foi benéfica para os alunos, uma vez que restringe a entrada de pessoas na escola. ''Muita gente da rua vinha aqui sem permissão, era perigoso'', apontou.
Para a vice-diretora Dirce Alves Pereira, neste ano a medida volta somente para os alunos novos, como forma de manutenção do sistema, e ao preço de R$ 5, ''pois conseguimos parcerias por fora''. De acordo com ela, essa foi a melhor saída encontrada para coibir o entra-e-sai de pessoas estranhas no local, localizado na perifeira da cidade e que atende alunos de bairros como União da Vitória, Tarobá e Fransciscato, alguns dos mais violentos da Zona Sul. ''Vivíamos uma situação de constante insegurança'', comentou, frisando que pelo menos 20% das carteirinhas confeccionadas, bem como uniformes, são doados aos alunos carentes.
Questionada sobre a validade da cobrança em uma instituição pública, a vice-diretora avisou que a medida não foi adotada arbitrariamente, uma vez que já teria sido debatida em reuniões com os pais e os próprios alunos. ''Essa seria função do governo, mas não podemos esperar e também não temos condições de arcar com isso sozinhos'', concluiu.
O chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Rony dos Santos Alves, reconheceu que falta verba do Estado a esse tipo de investimento em segurança. Por outro lado, advertiu que a responsabilidade nesses casos é toda da Associação de Pais e Mestres (APM), e não do aluno. ''A escola tem que buscar qualidade sem ferir o princípio da gratuidade. Assim, toda e qualquer cobrança é irregular'', afirmou, lembrando que a exceção fica por conta de contribuição voluntária que pode ser solicitada pela APM. Nesse caso, o valor não pode ultrapassar 10% do salário mínimo.


