Cobrança da Cohab revolta Bairro Novo
Emerson Cervi
De Curitiba
Mutuários da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-Ct) no Bairro Novo se reúnem na próxima quarta-feira para tratar do novo sistema de cobrança dos inadimplentes. Há alguns meses uma empresa de cobrança particular pressiona os moradores para renegociar as dívidas. Segundo o presidente da Associação Geral dos Moradores do Bairro Novo, Rosinei Batista, a maioria dos devedores está desempregada. Vamos tentar uma medida em conjunto para evitar as pressões das empresas de cobrança, que são feitas individualmente, disse.
Existem 11,2 mil famílias de mutuários em terrenos financiados pela Cohab-Ct no Bairro Novo. De acordo com o presidente da associação de moradores, uma pesquisa no começo do ano apontou que 40% das pessoas economicamente ativas do bairro não têm emprego. A empresa de cobrança ameaça inscrever os devedores no SCPC e dizem que famílias serão despejadas.
O diretor administrativo e financeiro da Cohab-Ct, Ildefonso Magalhães, explica que a terceirização das cobranças faz parte de um plano para recuperação de crédito, que começou há dois anos. Temos a obrigação social de cobrar os inadimplentes para que a companhia tenha condições de fazer novos investimentos em habitação, disse. As terceirizadas fazem apenas a cobrança, toda a renegociação dos contratos é direta com a Cohab, explicou.
O desemprego é um dos principais responsáveis pelos atrasos nos pagamentos dos mutuários. Maria de Fátima Ramalho de Souza, 29, e Carlos Antonio do Nascimento, 31, moram com cinco filhos desde 1997 em um lote de fundos no Bairro Novo. Eles pagavam R$ 71,00, mas estão em atraso desde o ano passado. Meu marido é autônomo, não consegue trabalho fixo e não posso tirar comida da boca dos filhos para pagar a Cohab, lamenta Maria de Fátima. Ela conta que foi renegociar, mas pela proposta da companhia a mensalidade subiria para R$ 123,00. Assim, vamos continuar sem pagar.
O pedreiro Antonio Lemes de Oliveira, 46 anos, é um dos moradores mais antigos do Bairro Novo. Entre 1993 e 1998 pagou as prestações de R$ 35,00 em dia. Depois disso ele foi demitido e não conseguiu mais trabalho fixo. Eu já paguei 70 prestações, mas como estou hoje é impossível manter em dia porque tenho outros gastos e nem sempre aparece serviço, conta. Também recebi o aviso de inscrição no SCPC. Fui tentar negociar o funcionário disse que eu precisava pagar alguma coisa, mas agora não tenho dinheiro.
Agente de segurança da prefeitura, Onias Moreira Pedroso, 45, também está inadimplente. Lá na Cohab disseram que a minha dívida é de R$ 1,2 mil, e que eu teria que pagar pelo menos R$ 202,00 de uma vez para fazer a renegociação, mas antes de receber o 13º salário não terei condição.A Cohab de Curitiba terceirizou a cobrança e ameaça inscrever inadimplentes no SCPC. Bairro tem 11,2 mil mutuários
Fotos: Kraw PenasMUTUÁRIOSMaria de Fátima Ramalho de Souza, 29, e o pedreiro Antonio Lemes de Oliveira, 46 anos, são vizinhos no Bairro Novo e vivem o mesmo problema de inadimplência e desempregoSEM NEGOCIAÇÃOAgente de segurança da prefeitura, Onias Moreira Pedroso, 45, também está inadimplente. Lá na Cohab disseram que a minha dívida é de R$ 1,2 mil. Antes de receber o 13º salário não terei condição





