Curitiba - Altos salários, pais ricos, escolas particulares, tempo livre nem sempre são atalhos para conseguir seus objetivos. Pelo menos para o cobrador de ônibus de Curitiba Sidnei Aparecido da Silva, 32 anos, o caminho para ser um advogado foi tortuoso, mas satisfatório. Bacharel em Direito e morador da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), ele passou no último exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), após cinco anos de estudos em uma universidade particular e seis meses de curso preparatório para a Ordem. Tudo isso com o salário de cerca de R$ 600 e muitos ''bicos'' para complementar a renda.
''Quando temos vontade de fazer as coisas não tem nada que impeça'', ressaltou o novo advogado. Nascido em Apucarana, Norte do Paraná, chegou em Curitiba aos dois anos de idade. Silva sempre estudou em escola pública. Trabalhando seis horas por dia, saía do emprego para o estágio obrigatório não remunerado durante a tarde.
O curso de Direito era noturno e Silva, que é casado, arrumava ainda tempo para cuidar da filha pequena, nascida dois anos antes de começar a faculdade. Ele estudava nos finais de semana e nas madrugadas. ''A pior parte de todas foi pagar a faculdade. Me desdobrei em dez Sidnei. Vendia roupas e utensilíos domésticos para complementar a renda'', explicou, que não esquece ainda o apoio incondicional da família e dos amigos.
Silva recebeu na semana passada a carteira provisória da OAB. ''Estou procurando agora emprego na área, mas não pretendo sair da empresa de ônibus por enquanto. Eu sou uma daquelas pessoas que querem vencer na vida'', afirmou o advogado, que pretende se especializar em Direito Trabalhista.

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